"Não era por fome; era por carência"
Tuesday, February 08, 2011
Friday, February 04, 2011
Bin-side
Meu peito de novo
Engelhado caiu
Como um poema
que se falhou
No chão
de um mau tiro
devagar vou-me
Abrindo ao céu
A tinta espalhada
seca desconhecida
Na face esborratada
da beleza que chorou
luz fraca
quem de novo
o meu peito
amachucou
Engelhado caiu
Como um poema
que se falhou
No chão
de um mau tiro
devagar vou-me
Abrindo ao céu
A tinta espalhada
seca desconhecida
Na face esborratada
da beleza que chorou
luz fraca
quem de novo
o meu peito
amachucou
Monday, January 31, 2011
Um dia...
Um dia disseste
“Talvez... um dia
nao precisemos de palavras
e tudo seja simples...”
E eu acreditei.
Estirei o corpo ao crepúsculo
e fiz a cama 'a esperança quieta
de uma solidão abrupta
Pouco a pouco
a noite viu-me dar voltas
e a cama discreta e devagar
a engelhar velhos sonhos
Pouco a pouco
o sol foi deixando de queimar
ao entranhar o não chegar
do dia da magia despontar
Pouco a pouco
foi-se desenhando no peito
o desacreditar das asas
desse amor por acordar
Um dia disseste...
E eu tentei proteger-me
de querer acreditar.
Ate' um dia
tu voltares.
Sunday, January 30, 2011
.
_
-Im paciência
(Essa luz que seguras
Espraiando entresombras
Dimensões insondáveis
Não sei o que é...
O que será quando soltar?
O que há de fazer
ao tocar?
Não tento adivinhar
Há pouco
Aprendi a esperar.)
Espraiando entresombras
Dimensões insondáveis
Não sei o que é...
O que será quando soltar?
O que há de fazer
ao tocar?
Não tento adivinhar
Há pouco
Aprendi a esperar.)
Friday, January 14, 2011
Lincei
And then she saw
My yellow eyes,
Loosed by the sun.
And she asked
How?
The eyes were brown
So I kissed her
And we both
Became
Lynxes
Uma pequena criatura obesa
hoje sentou-se diante de mim
Num autocarro de meio sol
Envergando uniforme dum time maravilha
O moleque sentado e quase irrequieto
assobiava com uma boca em U
(e sem som)
Fitava nalgum tempo de vidro
uma coisa em que era sozinho
No banco de tras os pais discutiam
E entre as ironias que me trilhavam a flor da pele
Senti a Tristeza chamando-me a mao
Mas o pequeno continuou sem ver.
hoje sentou-se diante de mim
Num autocarro de meio sol
Envergando uniforme dum time maravilha
O moleque sentado e quase irrequieto
assobiava com uma boca em U
(e sem som)
Fitava nalgum tempo de vidro
uma coisa em que era sozinho
No banco de tras os pais discutiam
E entre as ironias que me trilhavam a flor da pele
Senti a Tristeza chamando-me a mao
Mas o pequeno continuou sem ver.
Sorrias
Entre uma noite profunda
Vieste no sol nascer
E sorrias
Entre as Trevas
O teu esparso renascer
Um novo homem.
Sorrias
Segui-te pouco acordado
fora das paredes
Tu sorrias.
Encontrei-o casual
no seu rosto sem saberes
Numa calma certeza
Sorrias
Entre uma noite antiga
Vi-te o sol nascido
E sorria
Entre as Trevas
Tudo o que tinha sido
Um velho toque
Ainda sorria
Segui-me pouco acordado
De volta as paredes
alguém sorria
Encontrei-me surreal
Na cama sem amanheceres
onde louco me lembrei
Como sorria(s)
Novembro 21
Itaipu
Há no Rio uma pedra que canta.
Chama-me a nadar. Chama-me a nadar.
Há no Rio uma pedra que canta.
Chama-me a saltar. Chama-me a chegar.
Há no Rio uma pedra que canta.
Uma sereia quieta me vai afogar
Nos seus lábios fazer-me água
Para cantar. Para cantar
Essa sombra que vai jogando
Devagar um samba discreto
entre os pares de namorados
que se beijam com sede e sem conta
Daquilo que vai além do instante
Essa sombra de gingado quase quieto
De prazer calado e secreto
Entre o mundo quente e afável
Que se troca e volta em mil vezes
Dentro de cada eterno instante
Essa sombra que até bebâda ninguém vé
Dada sorrida a um velho sofrer
entre a noite de luz desatenta e fraca
vai-se soslaiando de bar em bar
procurando o irrepetível instante
Em que morreu
Devagar um samba discreto
entre os pares de namorados
que se beijam com sede e sem conta
Daquilo que vai além do instante
Essa sombra de gingado quase quieto
De prazer calado e secreto
Entre o mundo quente e afável
Que se troca e volta em mil vezes
Dentro de cada eterno instante
Essa sombra que até bebâda ninguém vé
Dada sorrida a um velho sofrer
entre a noite de luz desatenta e fraca
vai-se soslaiando de bar em bar
procurando o irrepetível instante
Em que morreu
Iguassu
No estalar dos saltos de anjos
A tempestade confunde qualquer
Que queira espiar a queda
Névoa envolve o grito da passagem
As águas respondem ao atrevimento
Viram-se e revoltam-se e lembram
A morte que há na vida
Que prova incrível…
De que a beleza esteja na imperfeição
De que tudo se trate não de fazer completamente
Mas sim de deixar feito até ao momento que se deve cristalizar
(mesmo que não dure)
Cataratas.
Wednesday, January 12, 2011
Tortura
Em cada silhueta de mulher o teu passo
O anseio da tua face escondida
desfazendo-se ao chegar perto
(e a vergonha calada
e meiga da loucura
insiste e insiste)
Em cada silhueta feminina que vem
A esperança cresce a convicção
“Vens tu, vens tu”
E no meio de tanta gente
incalculada
caminha pouco a pouco
a espantada certeza
da solidão
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