Wednesday, December 27, 2006

Amor paciente

Fico sempre na sombra a olhar para ti,
O teu sorrir, amar, suspirar e viver
Essa tua vida de esperanças a correr
Mas tu nem imaginas que estou aqui

A sondar-te e a conhecer-te ao pormenor
A decorar os teus trejeitos e os teus ventos
A descobrir as tuas magoas os teus lamentos.
E vendo em mim crescer um amor maior

Porque viver ardentemente o impossivel amor?
Para quê sentir esta dor infiltrar-se no meu ser
E viver assim, cabisbaixo, tendo apenas o sofrer
E assistir ao quotidiano palido, morto, sem cor

Ah ! Destino cruel, triste e almadiçoado
Como podes querer conduzir-me assim
De desventura em desventura, até ao fim,
Até ao fundo do abismo, sem forças, calado

Mas tenho que aceitar a minha pouca sorte
Sou como um falcão com as asas cortadas
Já não sonho; vou contando as madrugadas
Esperando sem receio que chegue um dia a morte

Não me deixes na sombra da vida

Nunca me anbandones meu amor
Não me deixes só, em silencios sofridos
Não me deixes só, em sorrisos perdidos
Morrendo ao poucos de desgosto, de dor

Não me deixes só com as memórias
Dos teus olhares e das tuas divagações
Dos teus beijos e das tuas canções
Em que resplandescias com mil glorias

Não me deixes aqui assim sozinho
Eu sou como uma inocente criança
Não me mates a jovem confiança
Se fores fico a tua espera, quietinho...

No meu canto, escondido, na sombra da vida
Vendo o tempo passar, as pessoas mudar
Conhecendo os seus dramas e o seu sonhar
Chorando cada angustia, cada lagrima retida

Esperando que um dia voltes para o teu lugar
E que rias comigo de felicidade, de pura alegria
E que me enterres o tormento que, sem ti, vivia
E que juntos voltemos a aprender a sorrir e a amar

Thursday, December 07, 2006

Canta, rogo-te...

Canta, rogo-te minha bela sereia
Liberta esse teu suave encanto
Sobre a lua graciosa com seu manto
E enche-me com ritmo cada veia

Canta, rogo-te minha querida feitiçeira
E prende-me a esse misterioso cantico
Fa-lo ecoar por todas as grutas do Atlântico
Que passe pelo Pico, Faial e Terceira

Canta, rogo-te minha eterna fantasia
Com tua voz, tão mistica e pura
E com essa magia traz-me uma cura
Uma luz, uma esperança menos fugidia

Fica, rogo-te minha bela sereia
Não me anbandones a dor assim
Continua aqui, a cantar para mim
Nesta praia, os dois juntos sobre a areia

Fica, rogo-te minha querida feitiçeira
Comigo no calor deste nosso amor,
Que nos faz sorrir e desconhecer a dor
Aqui tendo o anoitecer por viagem passageira

Fica, rogo-te minha eterna fantasia
Aqui, a viver para sempre esta felicidade
Nos meus braços firmes com verdade
Esta mágica perfeição da nossa harmonia

Monday, November 20, 2006

Adeus

Adeus meu amor, já é hora de te deixar
Tenho de parar de sofrer com tua partida
Tenho que avançar, tenho que me afastar
Tenho que seguir, e estas lagrimas enxugar

Adeus minha amada, já é hora de esquecer
Todas as madrugadas que passei a imaginar
Os beijos que nunca me quiseste oferecer
Tenho que seguir, e estas lagrimas enxugar

Tenho que parar de sofrer com tua partida
Com as tuas fugas e esse teu louco viver
Tenho de parar de sonhar contigo, velida
Tenho que seguir, e estas lagrimas enxugar

Todas a madrugar que passei a imaginar
A felicidade entre nos perfeita,merecida
Com a confiança e a ternura do teu olhar
(Tenho que seguir, e estas lagrimas enxugar)

Apesar das tuas fugas e desse louco viver
Eu continuo a amar, mas tenho de olvidar
Pois o meu coração já não pode mais sofrer
Tenho que seguir, e estas lagrimas enxugar

A felicidade entre nós perfeita, merecida
Mas que delirio, que louca fantasia do meu ser
(Não sabes como é dificil perder-te querida)
Tenho que seguir, e estas lagrimas enxugar

(Hoje está acabado o que nunca começou
Porfim veio a realidade e meu sonho matou)

Desperdicio

Não brinques assim com o amor
Não percas o teu futuro, a tua vida
Não! Não te exponhas assim a sida
Não te arrisques ao vicio, a dor

Não escolhas esse negro caminho
Não ves que estas a ser enganada?!
Esse extase é falso, nao muda nada
Isso não afasta nenhum redemoinho

Ao procurar fugir do teu sofrimento
Foste apanhada por uma armadilha
Perdeste a dirrecção da tua quilha
E ficaste presa nesse eterno tormento

E agora? Tu choras...e eu amarguro
Ja tens os dias contados...acabou
E contigo levas quem te amou...
Tudo por culpa daquele prazer perjuro

Novembro 2006

Sunday, October 08, 2006

Se te beijasse...

Se ,um dia, eu te beijasse acordaria
Deste desejo,desta louca fantasia
E a dor seria como um punhal cravado
No meu coração de sonhos moldado

Nas trevas abismais do sonho quebrado
Cada uma das minhas lagrimas correria
A minha face, a minha alma se perderia
Nas memorias do nosso amor inacabado

E assim pouco a pouco definharia
Como uma flor que não viu a luz do dia
Chorando, resignado a minha sorte:

Sem nada, nem esperanças, nem alegria
Vendo o tempo a voar com melancolia
E a pensar: ‘A tua vida é a minha morte....’

10/2006

Procurei-te entre os destroços

Fui procurar-te entre a areia da praia
Passei ao lado das casas destroçadas
Caminhei entre defuntos pelas estradas
No horizonte o sol da esperança raia

Preferia estar contigo entre os mortos
Iriamos juntos para o paraiso
Deixariamos nossos miseraveis corpos
E lá um belo mar esperaria liso

Voltei pelas ruas do luto
Para as quais agora permuto
Perdi-te para nunca mais te ver
Não há pior tortura para algum ser

Terrivel mar para tantas mortes causar
Oiço ao longe o choro das crianças em vão
E entre as cinzas e os cadaveres, jaz meu coração
Quando morrer, voltarei para te amar


(as vitimas do Tsunami de 2005)

Wednesday, October 04, 2006

Soneto do fim

Estou tão sozinho, triste e esgotado
Nunca saberás como é viver assim
Como sem nenhum futuro ou passado
Sem saber porque estou aqui, porque vim...

Como se um livro vazio, intocado
E sem vida, sem auroras carmesim
Sem história, à solidão condenado
Só, entre as doces magnolias do meu jardim

Só estas aqui tu, só a ti te vejo
Num olhar que já falha, moribundo
És segura e viva...como te invejo!

Esperando receber o teu beijo
Como uma despedida deste mundo
Sonho enovoado o meu ultimo desejo

Wednesday, September 13, 2006

Saudade

Sobre a chuva,de olhar vazio
De alma dispersa e confundida
Com a mente no estuario do rio
Longe de casa; triste é a vida...

Com saudade da sua varanda
Dos dias quentes e do céu aberto
De toda gente que por là anda
Dos beijos que ficaram por dar

Do som das ruas da sua cidade
Dos sorrisos dos seus amigos
Dos frutos:dos deliciosos figos
Do mar,da plenitude e serenidade

Está longe das suas terras morenas
Num lugar de chuva e ceu cruel
Nestas ruas de ausencia e fel...
(Lamentam os corvos de negras penas)

Um dia hei-de voltar para te abraçar
De coraçao perto de ti e do mar
Serei de novo eu, sorriso sorridente.
Nessa altura meu olhar será diferente...

8/10/2005

Sunday, September 10, 2006

Nos vidros embaciados...

Nos vidros embaciados, na areia molhada
Nas nuvens passageiras e nas estrelas eternas
Desenho o teu nome com paixão timida e infinita
Quero ser a tua sombra, quero seguir-te por todo o lado
Serei o fiel amante que segue os passos da dona de sua alma

Pelo caminho que tenho destinado
Espero encontrar-te bem perto de mim
Seria teu refugio secreto, jamais revelado
Quero guardar-te como imortal jasmim

04/08/2006

Saturday, August 26, 2006

No lugar dos tempos

É aqui, entre os pinheiros mansos e os sobreiros
Que encontro o meu refugio, em silencio e paz
E esqueço a dor, as magoas que minha alma traz
Perdido no meio do correr de anos inteiros…

Sentado numa destas pedras, testemunhas ancestrais
Esqueço o amor frustrado que fere o meu coração
E sonho com as fantasias de quem não sofre mais
Mas ao acordar, sei que é apenas a minha imaginação

Contemplo a alta cruz que ilumina a paisagem
E surge perante meus olhos tão bela imagem
Sou eu, criança outra vez, correndo os olivais
Sorrindo, brincando, imitando os meus pais

Onde vai o tempo dos sonhos sem barreiras?
E onde estão as tuas carícias feiticeiras?
E agora que perdi tudo aquilo que quis
Só me resta viver esta irrealidade feliz

25/08/2006

Saturday, August 12, 2006

O vento levou

Num dia de céu tão profundo quanto teu olhar
As arvores com folhas tristes de Verão
Teus olhos castanhos no vazio a declamar
As desventuras e magoas que sofres no coração

Ao conhecer-te o vento parou para t’ouvir falar
E tuas doces palavras no âmago levou
E ao suspirar longe deste lugar, tua voz deixou.
E o teu cântico de sereia a muitos fez sonhar

Onde foi o meu amor?

Onde foi parar o meu maravilhoso amor?
(Cavalos negros livres galopam solitarios
Sobre palido luar,sobre a chuva prateada
Perdem-se entre o nevoeiro e a noite escura)

Que aconteceu aquele meu amor tao bento?
Sem duvidas,tão seguro,tão cheio de calor...
(Andorinhas abrem as asas pretas ao vento
Voam sobre o horizonte, fogem para o equador)

Que farei sem o amor que sorria ás nossas vidas?
(Minhas perfumadas laranjeiras morreram,cada flor
Emoreceu com o frio, cada uma perdeu a sua alba cor
E as petalas no chao, foram varridas, no vento perdidas)

Friday, June 30, 2006

Poema para ti...

Vieste numa noite escura e inesperada
Chegaste com aquela beleza só tua
Enfeitiçaste tudo com essa alma delgada
Com magia e esperança pintaste a lua

Fizeste-me ver as estrelas no céu azulado
Abriste o coração e mostraste-me as magoas
Naquele momento a tua dor partilhei
Consolei-te enquanto estava a teu lado

Daqueles segredos nunca me esquecerei
Gravaram um marca no meu coração
Sinto a tua dor mas tambem a tua paixão
Para sempre contigo me preocuparei

Sentei-me na ausência do teu perfume
Hoje sou como uma lareira sem lume
Quero encontrar-te para te poder abraçar
Quero ver mais uma vez teu sorriso a brilhar

Saturday, June 17, 2006

O tempo apagou-nos

Vieste para mim numa noite longa e serena
Olhaste com aquela tua timidez muda
Mas o teu perfume sublime chamou-me
E em ti encontrei aquilo por que esperava

Fizeste-me ver as estrelas no céu azulado
Abriste o coração e mostraste as mágoas
Naquele momento toda a tua dor partilhei
Consolei-te enquanto estava ao teu lado

Mergulhei no teu olhar e naveguei na tua alma
Bebi as tuas memórias; chorei as tuas angústias
Ligámos as nossas vidas, tão curtas e inocentes
Com o desejo de caminhar pelo destino juntos

Mas este nosso abrigo de mútua compaixão
Perdeu-se deixando um vazio no meu coração
Não podia vencer a forte bruma que o envolvia
Pois o mundo que o rodiava não o compreendia

(O abraço reconfortante em que te cobria
Passou a um mero e frio beijo na face
Depois a um toque como uma doçe lembrança
Até que ficaram apenas palavras vazias
Qualquer dia nem sequer teremos isto....
Nada se dirá, como se nada se tivesse passado.
Como se não nos tivessemos conhecido.
A grande amizade estará sempre escondida
Ou será que foi simplesmente esquecida?)

Wednesday, June 14, 2006

Suicídio

Porquê tão miseravel destino?
Conhecer o amor para o perder
Saber que o amanhã sempre será
Mais uma mágoa na minha vida.

A minha vida foge a cada suspiro
Nada mais me agarra a este mundo
Caio neste abismo escuro, sem fundo
Já nada sinto, nem mesmo saudade

Tenho tanto frio que acho que vou gelar
Uma onda de tristeza vai-me inundar
Na solidão muitas lágrimas vão tombar.
E estarei só, na amargura do meu âmago

No céu cor cinza funebre, silêncio
Ondas batem como quem me anseia
O vento envolve-me em despedida
E o sol não quer ser testemunha

A brisa empurra-me para o meu fim
Tua voz susurra chamando por mim
Segredas-me tu que à tanto me esperas
Nada me atrasa, corro para teus braços

Perduro no vácuo da minha alma
Vou saltar da falésia alta para o mar
Fechar os olhos e a vida abandonar.
Sorrir antes do rochedo me trespassar...

Our last moment

Let me hold on to your lips
As the wind my heart sweeps
Please let me have the last kiss
This is the moment that I’ll miss

I would love to take in my arms
And fly far away from this bay
To feel your heart beat everyday
How good it would be for you to stay

Tell that your love won t be leaving
Promise that your eyes won t be deceiving
Come with me, give me your smile
Fill me with hope to stand one more day

Saturday, May 27, 2006

Descobri a dor

Descobri de novo aquela antiga dor
Andei silencioso pela pisada calçada
No meio da amargura da minha viela vazia
Enveredei pela mesma rotineira estrada
Mas hoje a paisagem aos meus olhos gemia
Seria que mais uma vez o meu louco ardor
Inventara um efemero e destroçante amor?
Só sei que do olhar emanava um choro incolor

Mais rosas murchas, outro Outono decadente
O meu coração afogava-se no seu lamento
E com agonia estridente sangrava lágrimas.
No céu havia nuvens escuras e na alma vento
Os poemas não tinham nem versos nem rimas
E eu gritava libertando a voz mas não a mente
Na minha dor soluçava, pelo sofrimento preso
Não havia esperança que me salvasse de mim, ileso

Entrei no teatro que fora outrora alegre luminoso e famoso
Com surpresa só encontrei janelas tapadas e portas trancadas
Apenas me era familiar o perfume que inspirava em memorias
A vegetação descontrolada queria esconder todas as entradas
Profanei as ruinas do amago, vi o lugar onde se ouviam mil histórias
Constatei em tristes passos que o palco estava vazio e silencioso
Respirei o cheiro a buganvilias tão leve e discreto, de cor repleto
E apercebi-me que tal como sorriso esquecido, na dor estava perdido

Wednesday, May 24, 2006

Folhas ao vento

Éramos folhas de Outono
Folhas varridas, levadas
Pela suave dança da brisa
(Por ruas da incerteza caminhavas)

As estações passavam
Os momentos voavam
(Tínhamos ligeiros abrigos
Falsas e crueis ilusões)

Por muito andámos errantes
Pensando sobre amores perdidos
Nunca fomos comprêndidos
Mas de natureza somos amantes

Tudo gelou com a solidão
Ambos esperavamos paixão
Como se fosse o sol de Verão
Como a mais melodiosa canção

Mas num dia o ventou parou
E a secreta rosa se mostrou
Duas folhas perdidas pousaram
No mesmo recanto de beleza

Pela rosada aurora nos mirámos
E soube que te havia encontrado
Sem palavras nos abraçámos
Felizes por estar lado a lado

De nós cresceu a mais bela flor
De pétalas vermelhas, o amor

Wednesday, May 17, 2006

O prisioneiro

Oiço terriveis gritos de horror
Sons de desespero, profunda dor
Um homem sem culpa a sofrer
Do seu corpo sangue está a verter

Gemidos de mutilamento.
Esperanças lançadas ao vento...
Um olhar vazio, sem amor,
Sem desejo de ver o amanhecer.

Um suspiro perdido, enterrado.
O antigo sorriso foi apagado.
A noite presente para o torturar,
Voltam memorias para o atormentar

O céu está cinzento, não vai azular!
Como pode ele querer continuar?
Foge para sonhos, para o mar
Para terras distantes vai navegar

Refugia-se daquele passado
Seria tão bom poder de novo amar
Nuvens escondem o sol esperado
E as feridas sangram com o luar...

Poderá algum dia se libertar?
Ver a aurora com outro olhar.
Ter alguém que possa abraçar.
Chegarão um dia para te soltar?

(Passaro que foste preso nesta armadilha
Não podes fugir, não podes escapar
Sofres tanto a cada istante.
Começas lentamente a definhar
Nao percas a tua pouca esperança,
Numa manha fria, alguem virá pra te salvar)

Incêndio

Com sopro do vendaval vences ou recuas
Numa dança por matas, sobre sóis e luas
O Homem tenta calar-te com água e terra
Mas tu a gritar consomes e despes a serra

Fogueira

Tão perfeita era a fogueira firme e inflamada
Cercada pelo círculo de pedras, delineadas
Com a força do elemento lenha ias matando
Com a paz de uma morte cinzas ias criando

Calor e luz para os nómadas emanavas
Faiscas crepitavam de quando em quando
E o solitário homem à noite sem palavras
Com atenção a canção de Gaia, ia escutando

Ninguem

Uma lágrima lastimosa lavou minha mágoa
E foi esquecida (como eu) na leve sombra caiu
Desapercebida, todos olharam mas ninguém viu
Ninguem a compreendeu, ninguém a enxugou

Não houve melodia que cantasse o silêncio da solidão
Não houve quem me socorresse, quem me desse a mão
Nenhum poeta manchou um poema com este lamento
Ninguém há-de chorar pelas cinzas confiadas ao vento

Monday, May 15, 2006

Quando te beijo...

Quando te beijo o sol pára de cegar e a terra de girar
O fogo deixa de devastar, queimar e a água de afogar
Os mais complicados problemas tornam-se simples
As almas entrelaçam-se, abraçam-se e confundem-se
Cessam todas as violentas lutas e diversas disputas
Nenhum som se propaga, cala-se o eco nas grutas

Acendem-se estrelas no teu olhar e o mundo escurece
Para poderes no teu esplendor efémero mais brilhar
Estende-se o universo para deixar tua alma espandir-se
As dúvidas extinguem-se, não há onda que perturbe o mar
No vasto e azulado céu do meu humilde pensamento
Nada apaga a luz reconfortante deste belo momento

Memorias

Memórias vêm sem parar
Nossos beijos ao doce luar
As ondas deste meu mar
Há sempre algo a recordar

Benditas memórias do teu olhar
Fazem-me reviver amores perdidos...
Momentos de felicidade contidos.
É de novo o teu rosto comtemplar

Vejo o vento no teu cabelo bater,
Estás ao meu lado, tua alma na minha mão
Abrigo-te enquanto te posso manter
A descansar bem perto do meu coração

Posso perder-me de novo em teu abraço
Posso esquecer-me que já não estás aqui
Posso voltar a ter todo o amor que perdi!
Tua memoria é fazer o que já não faço...

Tuesday, May 09, 2006

Estou na sombra...

Já não consigo tudo aguentar
O som das vossas vozes a troçar!
Porque quem está sempre a meu lado
Nunca se preocupa com o meu estado

Sou esquecido e desprezado
Não veem que está errado?!
Prefiro permanecer fechado
Na sombra sozinho e calado

Quem me dera não viver
Não ser levado a sofrer
Pelos que não conseguem ver
Os sentimentos de um ser

Ser incompreendido é como morrer.
Porque não percebem a lágrima a cair?
Quem me dera dias de dor esquecer
E em sonhos doces me poder perder

Quem me dera voltar a teus braços
Poder me perder em teus encantos.
Sara-me feridas com teu coração
Apesar do amor, cicatrizes ficarão.

Por quantas horas terei que passar
Aqui a esconder profundas marcas?
Quando poderei deitar-me no mar
Para acalmar o fogo destas brasas?

Estou aqui! Silencioso na sombra
Esperando apenas por tua mão
Para me levantares da escuridão
E dares
à minha vida alguma razão

13/09/2005

Monday, May 08, 2006

Inverno da solidão

O meu único amigo partiu,
Nunca mais o mundo me sorriu
O vento de Inverno trouxe a solidão
E um frio cortante gelou meu coração

Passei no escuro, engolido pela noite
Esquecido, envolto pelo manto da neve
Sobre o ceu azul distante, meu sonho quebrado
Caminho para o nada, d’olhos no céu estrelado

Os minutos para mim são anos
Para no meu peito a dor perdurar
Choro por ti, pela partida das flores
Choro por nunca poder descansar

Hoje o sol raiou e toda neve derreteu

Primavera veio, e minha tristeza morreu
Correndo pelas colinas verdes da juventude

Senti o meu coração bater. Era o dia a nascer.

Saturday, May 06, 2006

Lagrima

Quem te olhar verá imagem turva do meu coração...
Segues teu caminho, lenta ,cheia de mágoa.
Tristeza da alma, ferida aberta, imensa dor!
Todas desventuras estagnadas em gota d’agua...
Fria na minha face deslizas, meu falhado amor.
Desces e cais no chão, arauto de maior solidão.

Thursday, May 04, 2006

Andorinha(para a minha querida tia troiana)

Passei pela tua esquecida casa,pelo teu ninho
Portas fechadas,celadas pelas heras do jardim
Migraste para terras morenas do sul,só;sem mim.
Andorinha,encontraste lugar mais aconchegadinho?

Wednesday, May 03, 2006

Voa rola

Hoje vou abrir a tua porta
Voa rola minha para longe daqui
Abre as asas e perde-te no azul
Ruma livre, para terras do sul
(Levas na face o sol,o teu sorriso)
Vai e paira sobre o longo horizonte.

Como são boas as carícias do vento
A brisa dança em ti num improviso!
Sonhas,tão inocente, com a aventura
Abandonas-me sem remorso,sem dúvida

Mas um doce beijo para sempre não dura
E uma onda de saudade passa em minha vida
Bate as asas e afasta-te pelo amanhecer.

Deixas na dolorosa sombra da tua partida
Esta alma ferida no deserto, no vazio.
Sem palavras do teu olhar, flor esmorecida,
Sou turbilhão de dor, sem estrela a seguir.

(Aqui choro por teu profundo olhar de ninfa
Por teus cabelos fulvos, nunca mais ver)

Saturday, April 29, 2006

Abriga-me

Guia me atraves desta obscura caverna
Sê a minha luz e o manto que me abriga
Deste frio de inverno que me esmaga.
Sem ti morreria.Como viver sem tua terna voz?

Sê a sagrada e delicada baia de acolhimento.
Faz me esquecer a trovoada,o fulgor do mar.
Leva-me a sonhar,aquece a minha alma:
Traz teu belo sorriso e teu beijo enamorado

Sinto tua falta,como se tivessem arrancado
Um pedaço de mim.Estou triste e cansado.
És aurora que me salva do sono atormentado.
É tao importante saber-se por ti amado...

Por isso,fica sempre a meu lado.
Deixa me manter-te em meu peito...
Em ti repouso meu fardo...minha dor
Nao me deixes nunca só,abandonado.

Friday, April 28, 2006

Meu destino

Meu destino é sozinho viver
sem tentar meu futuro prever
Irei viajar,para o horizonte navegar
Vou entregar-me sem medo ao mar!

Só sei que haverá uma partida
Sei que de tudo me vou esquecer
Quando sair de casa pelo amanhecer
Vou divagar pelo mar sem guarida

Até que chegarei ao ultimo suspiro
Meu corpo será cinza para o vento levar
Definharei embalado pelo meu mar
Longe de ti,sem nunca te ter amado

Tuesday, April 25, 2006

Monotomia

Hoje vou estilhaçar os vidros
Quebrar toda esta monotomia
Ferir meus punhos com fúria
Desafiar o sol que se escondia

Se tivesse asas daqui voaria
Se fosse um veloz gamo,fugiria
Apagaria a tristeza do teu olhar...
Ao, do que me prende,me soltar

Quero gritar ,queimar toda a dor
Pintar o ceu com cores do teu sorriso
Partir a rotina com um beijo,amor!
Partirei de madrugada sem aviso

Vou revoltar-me,tentar mudar
Refugiar me contigo no mar...
Ter tempo para pensar na vida
Pensar em nos;na nossa partida

Ainda nao chegou o dia esperado
Numa aurora rosada hei de te tocar
A ternura do teu olhar feliz vai voltar
Monotomia cairá contigo a meu lado

Antonio ferraz

20/10/2005

Sunday, April 16, 2006

Dia de São Valentim

Fui despertado pelo meu frenético despertador, que gritava para me submergir do mundo do subconsciente. Arrancado dos meus sonhos, perdi de novo o teu doce olhar. A rotina retomara e metodicamente, quase de olhos fechados, dirigi-me a casa de banho, para a chuva fria matinal do meu chuveiro. A agua fria arrepiou-me e estremeci. Voltei para o quarto para me vestir e pegar nos livros para as escola. A medida que caminhava, a névoa espessa ia se dispersando do meu olhar e a luz lucida dos meus pensamentos emergia das trevas como o sol a brilhar.
Hoje tinha tido um sonho fabuloso; sua mao na minha, a minha sereia voltara para me abraçar, mas apenas por alguns segundos no lusco-fusco do levantar-do-sol,enquanto a noite e o dia dançavam e se confundiam, ela fugira do mar para me abraçar. Mas não ia ficar nos meus braços. Ela era uma criatura misteriosa, mágica, de natureza mistica e nao me podia pertencer. Só saudade podia causar pois os breves instantes da sua presença enchiam a minha vida de calor e desejo. Os seus olhos de um azul profundo, continham mais que o céu, mais que o mar. Continham a sua alma. Os seus cabelos morenos fulvos aos raios de sol faziam-me lembrar o Outono; estação da nostalgia e melancolia, ao mesmo mais, o mastro das Naus lusas de outrora; luzindo erecto e orgulhoso, estendendo as velas brancas e a cruz do sangue de Cristo. Ela era, sem duvida algo de milenário e eterno, a sua pele não se enrugava, o seu cabelo nunca perdia a cor e o seu olhar nunca perderia o brilho mantendo aquele feitiço imortal. Ela era a minha ninfa ou talvez mais, era Vénus que tanto os portugueses amara.
Agora que a minha mente retornava ao real, calculava o meu dia, provavelmente monotono; como todos os outros. Mas o meu coração palpitava como se me tentasse abrir os olhos para algo especial. Era dia de S.Valentim. Tinha-me esquecido completamente do acontecimento. De qualquer forma, para mim o dia nao mudaria muito. Desde que a minha Deusa me abandonara, para me visitar so em sonhos, que nao esperava mais que tristeza e solidão no dia dos namorados.
Ela persistia em manter o fogo da saudade no meu peito, como se houvesse esperança...
Uma onda de melancolia varreu-me,e ouvi sua voz , murmúrio preso num búzio da praia.
O dia de hoje apenas realçaria a minha solidão e desespero. Gostava de me soltar dos seus encantos passageiros mas não conseguia. Ela era a bonança. Desde que se deixara perder pelo o seu apelo, pela sua sedução que não conseguia largá-la. Soltara as amarras e partira para a aventura sem hesitar, agora lutava ferozmente contra tempestades e correntes para tentar escapar ao mar. A luta continuava. Entretanto, longe do enredo da imaginação, esperava pelo autocarro ao relento. Porfim, o autocarro chegou e levou-me como o vento leva suspiros.
Os meus pés andavam ritmados; já acostumados ao percurso; mas o meu pensamento divagava, errante à procura de descanço, abrigo.
Sai do autocarro e segui o trilho rotineiro. Desci devagar dos meus sonhos para a realidade, para não os estilhaçar subitamente. Seria cruel e eu nao precisava de sofrer mais.
Preparado para confrontar tudo de sorriso simpatico, tapei a minha face com a máscara fria que se usa como escudo. Nao veriam a minha dor. Arrastei os olhos pelo chão e levantei-os.
Ali estava a minha frente, parada, uma rapariga bela. Meus olhos observavam, maravilhados. Reparei que o seu olhar carregava a sombra de um fardo pesado, como o meu... De repente o meu coração pareceu bater com calor, como se voltasse de um sono profundo. Abri os olhos com mais vivacidade, talvez algum carinho... Então ela saiu daquele transe pensativo. Os seus cabelos morenos, cor das folhas melancólicas de Outono, ondeou pelo ar, varrendo a brisa. Aqueles olhos, serenos como o mar, pousaram e colaram-se aos meus. Vi, então, no luzir daquelas safiras perfeitas, um suspiro de descanso, um sorriso de pura alegria. Corri para a abraçar, para a cobrir com os meus braços e aquece-la. A alegria irrompeu em mim, estridente, como uma criança ao nascer. Envolvi-a num manto de ternura pura. A sombra que pesava no seu olhar apagara-se. O seu sorriso iluminava tudo, caçando as trevas da minha alma. Como era bom o seu abraço... O seu perfume adocicado enchia-me as narinas com um encanto delicioso. Ai! Que suave era a sua pele, mais parecia seda. Queria manter este momento para sempre, este abraço que me aquecia a alma. Sentia o seu coração bater, em harmonia, com o meu; como se houvesse apenas um ser ali, uma vida, uma alma.
Acordei. O meu despertador gritava, frenético. Eram sete da manhâ. Era dia de S.Valentim...

Friday, April 14, 2006

Mais bela que as palavras

Hoje passei pela tua rua sob o luzir do luar
E toquei à campainha da habitual casa branca
Preciso de encontrar, ouvir tua voz ressoar
Sabes que o meu coração é teu e tu és minha

A luz da vela, escrevi inumeráveis cartas
Cartas de amor, cartas a pedir o teu perdão
Cartas feitas com pedaços do meu coração.
Com tua beleza escrevi mais de mil serenatas!

Sabias que te adoro mais que tudo?
Não ha ninguém que te ame mais que eu
Se fixares bem meu olhar verás que sou teu
Es a musa de todos meus versos e poemas

Gostava de te dizer o quanto és bela
Cada rosa branca do teu delicado espirito
Cada curva desse corpo por mim desejado
Mas Deus não deu inteligência ao mortais
Para inventarem palavras para te descrever

Por teu olhar navegar

Os teus olhos contêm todo o nosso sereno mar.
Os meus(são espelho eterno dos teus) suspiram
Deixa-me navegar até aos confins da tua alma ...
Vem! Perde-te comigo neste sonho que é amar!

Para mim

Podes não ser mais que um segundo
Perdido na vasta eternidade do tempo
Tua voz não é mais que um sussurro ao vento
Mas para mim es única, para mim és o mundo

Pinta o teu arco-íris, dá-me a tua voz
Grita a tua dor, liberta-te do teu fardo!
Deixa me rodear-te com meus braços...
Canta a tua vida, respira este nosso amor

Sorri sem medo, vê o esplendor da aurora
Esquece as magoas. Abraça-me, chegou a hora!
Dorme meu anjo, sonha com teu coração
Lembra te de nós, minha mão na tua mão...