Saturday, May 27, 2006

Descobri a dor

Descobri de novo aquela antiga dor
Andei silencioso pela pisada calçada
No meio da amargura da minha viela vazia
Enveredei pela mesma rotineira estrada
Mas hoje a paisagem aos meus olhos gemia
Seria que mais uma vez o meu louco ardor
Inventara um efemero e destroçante amor?
Só sei que do olhar emanava um choro incolor

Mais rosas murchas, outro Outono decadente
O meu coração afogava-se no seu lamento
E com agonia estridente sangrava lágrimas.
No céu havia nuvens escuras e na alma vento
Os poemas não tinham nem versos nem rimas
E eu gritava libertando a voz mas não a mente
Na minha dor soluçava, pelo sofrimento preso
Não havia esperança que me salvasse de mim, ileso

Entrei no teatro que fora outrora alegre luminoso e famoso
Com surpresa só encontrei janelas tapadas e portas trancadas
Apenas me era familiar o perfume que inspirava em memorias
A vegetação descontrolada queria esconder todas as entradas
Profanei as ruinas do amago, vi o lugar onde se ouviam mil histórias
Constatei em tristes passos que o palco estava vazio e silencioso
Respirei o cheiro a buganvilias tão leve e discreto, de cor repleto
E apercebi-me que tal como sorriso esquecido, na dor estava perdido

Wednesday, May 24, 2006

Folhas ao vento

Éramos folhas de Outono
Folhas varridas, levadas
Pela suave dança da brisa
(Por ruas da incerteza caminhavas)

As estações passavam
Os momentos voavam
(Tínhamos ligeiros abrigos
Falsas e crueis ilusões)

Por muito andámos errantes
Pensando sobre amores perdidos
Nunca fomos comprêndidos
Mas de natureza somos amantes

Tudo gelou com a solidão
Ambos esperavamos paixão
Como se fosse o sol de Verão
Como a mais melodiosa canção

Mas num dia o ventou parou
E a secreta rosa se mostrou
Duas folhas perdidas pousaram
No mesmo recanto de beleza

Pela rosada aurora nos mirámos
E soube que te havia encontrado
Sem palavras nos abraçámos
Felizes por estar lado a lado

De nós cresceu a mais bela flor
De pétalas vermelhas, o amor

Wednesday, May 17, 2006

O prisioneiro

Oiço terriveis gritos de horror
Sons de desespero, profunda dor
Um homem sem culpa a sofrer
Do seu corpo sangue está a verter

Gemidos de mutilamento.
Esperanças lançadas ao vento...
Um olhar vazio, sem amor,
Sem desejo de ver o amanhecer.

Um suspiro perdido, enterrado.
O antigo sorriso foi apagado.
A noite presente para o torturar,
Voltam memorias para o atormentar

O céu está cinzento, não vai azular!
Como pode ele querer continuar?
Foge para sonhos, para o mar
Para terras distantes vai navegar

Refugia-se daquele passado
Seria tão bom poder de novo amar
Nuvens escondem o sol esperado
E as feridas sangram com o luar...

Poderá algum dia se libertar?
Ver a aurora com outro olhar.
Ter alguém que possa abraçar.
Chegarão um dia para te soltar?

(Passaro que foste preso nesta armadilha
Não podes fugir, não podes escapar
Sofres tanto a cada istante.
Começas lentamente a definhar
Nao percas a tua pouca esperança,
Numa manha fria, alguem virá pra te salvar)

Incêndio

Com sopro do vendaval vences ou recuas
Numa dança por matas, sobre sóis e luas
O Homem tenta calar-te com água e terra
Mas tu a gritar consomes e despes a serra

Fogueira

Tão perfeita era a fogueira firme e inflamada
Cercada pelo círculo de pedras, delineadas
Com a força do elemento lenha ias matando
Com a paz de uma morte cinzas ias criando

Calor e luz para os nómadas emanavas
Faiscas crepitavam de quando em quando
E o solitário homem à noite sem palavras
Com atenção a canção de Gaia, ia escutando

Ninguem

Uma lágrima lastimosa lavou minha mágoa
E foi esquecida (como eu) na leve sombra caiu
Desapercebida, todos olharam mas ninguém viu
Ninguem a compreendeu, ninguém a enxugou

Não houve melodia que cantasse o silêncio da solidão
Não houve quem me socorresse, quem me desse a mão
Nenhum poeta manchou um poema com este lamento
Ninguém há-de chorar pelas cinzas confiadas ao vento

Monday, May 15, 2006

Quando te beijo...

Quando te beijo o sol pára de cegar e a terra de girar
O fogo deixa de devastar, queimar e a água de afogar
Os mais complicados problemas tornam-se simples
As almas entrelaçam-se, abraçam-se e confundem-se
Cessam todas as violentas lutas e diversas disputas
Nenhum som se propaga, cala-se o eco nas grutas

Acendem-se estrelas no teu olhar e o mundo escurece
Para poderes no teu esplendor efémero mais brilhar
Estende-se o universo para deixar tua alma espandir-se
As dúvidas extinguem-se, não há onda que perturbe o mar
No vasto e azulado céu do meu humilde pensamento
Nada apaga a luz reconfortante deste belo momento

Memorias

Memórias vêm sem parar
Nossos beijos ao doce luar
As ondas deste meu mar
Há sempre algo a recordar

Benditas memórias do teu olhar
Fazem-me reviver amores perdidos...
Momentos de felicidade contidos.
É de novo o teu rosto comtemplar

Vejo o vento no teu cabelo bater,
Estás ao meu lado, tua alma na minha mão
Abrigo-te enquanto te posso manter
A descansar bem perto do meu coração

Posso perder-me de novo em teu abraço
Posso esquecer-me que já não estás aqui
Posso voltar a ter todo o amor que perdi!
Tua memoria é fazer o que já não faço...

Tuesday, May 09, 2006

Estou na sombra...

Já não consigo tudo aguentar
O som das vossas vozes a troçar!
Porque quem está sempre a meu lado
Nunca se preocupa com o meu estado

Sou esquecido e desprezado
Não veem que está errado?!
Prefiro permanecer fechado
Na sombra sozinho e calado

Quem me dera não viver
Não ser levado a sofrer
Pelos que não conseguem ver
Os sentimentos de um ser

Ser incompreendido é como morrer.
Porque não percebem a lágrima a cair?
Quem me dera dias de dor esquecer
E em sonhos doces me poder perder

Quem me dera voltar a teus braços
Poder me perder em teus encantos.
Sara-me feridas com teu coração
Apesar do amor, cicatrizes ficarão.

Por quantas horas terei que passar
Aqui a esconder profundas marcas?
Quando poderei deitar-me no mar
Para acalmar o fogo destas brasas?

Estou aqui! Silencioso na sombra
Esperando apenas por tua mão
Para me levantares da escuridão
E dares
à minha vida alguma razão

13/09/2005

Monday, May 08, 2006

Inverno da solidão

O meu único amigo partiu,
Nunca mais o mundo me sorriu
O vento de Inverno trouxe a solidão
E um frio cortante gelou meu coração

Passei no escuro, engolido pela noite
Esquecido, envolto pelo manto da neve
Sobre o ceu azul distante, meu sonho quebrado
Caminho para o nada, d’olhos no céu estrelado

Os minutos para mim são anos
Para no meu peito a dor perdurar
Choro por ti, pela partida das flores
Choro por nunca poder descansar

Hoje o sol raiou e toda neve derreteu

Primavera veio, e minha tristeza morreu
Correndo pelas colinas verdes da juventude

Senti o meu coração bater. Era o dia a nascer.

Saturday, May 06, 2006

Lagrima

Quem te olhar verá imagem turva do meu coração...
Segues teu caminho, lenta ,cheia de mágoa.
Tristeza da alma, ferida aberta, imensa dor!
Todas desventuras estagnadas em gota d’agua...
Fria na minha face deslizas, meu falhado amor.
Desces e cais no chão, arauto de maior solidão.

Thursday, May 04, 2006

Andorinha(para a minha querida tia troiana)

Passei pela tua esquecida casa,pelo teu ninho
Portas fechadas,celadas pelas heras do jardim
Migraste para terras morenas do sul,só;sem mim.
Andorinha,encontraste lugar mais aconchegadinho?

Wednesday, May 03, 2006

Voa rola

Hoje vou abrir a tua porta
Voa rola minha para longe daqui
Abre as asas e perde-te no azul
Ruma livre, para terras do sul
(Levas na face o sol,o teu sorriso)
Vai e paira sobre o longo horizonte.

Como são boas as carícias do vento
A brisa dança em ti num improviso!
Sonhas,tão inocente, com a aventura
Abandonas-me sem remorso,sem dúvida

Mas um doce beijo para sempre não dura
E uma onda de saudade passa em minha vida
Bate as asas e afasta-te pelo amanhecer.

Deixas na dolorosa sombra da tua partida
Esta alma ferida no deserto, no vazio.
Sem palavras do teu olhar, flor esmorecida,
Sou turbilhão de dor, sem estrela a seguir.

(Aqui choro por teu profundo olhar de ninfa
Por teus cabelos fulvos, nunca mais ver)