Monday, June 09, 2008

A tua mão escarlate.
numa ligadura mal atada
segurei entre minhas mãos
silenciosa e assustada
no meu choque
A tua mão pisada de purpura.
vi-a dormir no meu peito
ja lisa e nua
sossegada do medo
de si propria
A tua mão num roxo atormento
desesperei curar
(quis beija-la e o meu amor magoou-a)
Desmaiada em violeta
a tua mão ,
uma asa que treme
depois de pisada...
a tua mão
a tua mão
a tua mão.
o pesadelo mais longo que na noite passei
9/06/2008

Thursday, June 05, 2008

Resignio

Aceito...
nem advinho as manchas
da tua mente
não quero falar nem tocar
receio as palavras que não sei aguentar
na tua voz
Fico aqui...mudo
e encosto-me a esta parede de gelo
e fecho os olhos na tua pele macia
sem a violar.
E espero...
deixo-me suspenso
pelo entretanto neutro
pela a antecipacão do corte.
Aceito.
Aceito deixar de ver
na tua face
o que sei ler
Aceito este intersticio
que me rasga lentamente
porque adormeco nos ultimos raios
do teu perfume.
Deixo as asas ao vento.
Prolongo a agonia que te abraça a mim
(Pudera calar-se este silencio)
E espero.
Deixa-me beijar as palavras que se fermentam
na tua boca...
(Faz do silencio
a nossa fala)

(Vencido da vida)

Há no amor um certo travo de fatalidade
que desperta um sorriso
nos que se despiram
dos sonhos de amantes
e que se viram na sua nudez.

num fragmento de espelho fragilidade humana

e o corpo desmitificado de um velho


29/05/08