Thursday, December 12, 2013



Pensando em tudo e em nada
medito na esteira verde do meu jardim
e assim quieto e fugaz ensaio
o passo sem passo na caminhada

Jardim, meu por velha afinidade
caule de que me soltei e raiz que me espera
casa dormente da verdade

'' Enquanto uma pessoa esta bem consigo mesmo esta bem em (quase) todo o lado''

[Trene de Matera a Bari - 20.08.2013]


'' Tu viajas muito, muito, mais não vais a lado nenhum''

''O que se encontra nesta vida não resulta de procurarmos''

[43- A Varanda do Frangipani - Mia Couto]
'' Matamos o tempo; o tempo nos enterra''

[209- Memorias Postumas de Bras Cubas- Machado de Assis]
Alguém a quem o cotidiano, ainda que opressivo, acorda
- dando a espreitar os seus estranhos detalhes
a sinfonia dos seus desencontros
e o silêncio das suas coincidências 

Vês também -
a diligência tem um
preço

a revolta tem um
preço

Nao ha caminhos sem sofrimento
Sem cordas que nos alicam
a amarrar-nos a nós mesmos
Sem pontes que nos segredem
o amor cansado que tem
as aguas de que se distanciam
o intenso desejo que tem cada dia
de saltar

Wednesday, December 11, 2013

Ms. Ing come down from your
 Hopper window and meet me
at your street. Kiss me simply
on the cheek and let me know
I can forget my fear and give you
love as if it were all.


She always wrote the date
on which she turned the last page,
so that each book was marked with its exit.
A simple date at the last page
so that she may place each story
correctly within her own.

He couldn't.
There was something old,
Foolishly sacred or immaculate about a book.
It seemed the kind of object to him that could never really be owned.
And yet there was no other object he so fancied to collect,
perhaps in his mind capture, as if one day
upon his departure his final breath
could unleash the stories and see them fly as butterflies from the shelves
finally free from the memories he had so tenderly held them with,
free from all the words he had never dared lay on them and yet
had echoed through his unoteful life.


Levantou os olhos da sopa e encarou-o. Tanto em cheio como para la deles; fixou os seus olhos. E como se tivesse decifrado um segredo no silêncio, disse:

''Nem Deus tem cura para o Diabo. O bem e' uma resistência e o mal aquilo que insiste, insinua e nunca e' inoculado''   

Hoje de manhã...


Hoje de manhã pareceu-me que a Arte e o Sexo tem muitíssimas semelhanças.
É se fácil ser ridículo (no maior salto para a beleza)
É se fácil agradar um pouco (como uma onda ligeira)
É se frequente querer originalidade (e por vezes encaixar nisso algo certo)
É se raro atingir aquilo a que se pode chamar verdade…
Todo o processo no entanto estranha e inexplicavelmente vale a pena 

Not knowing which cure to seek


 Not knowing which cure to seek
I drag this body through the streets
of an empty city
that I have created
within me
through this abandoned void
ceaseless souls
wander without
finding
I drag this body through the streets
Gesture of hate tedium terror
that I can not escape
sure inside of the eternal
step that is solitude
In an empty city
unclosable dull eyes
scars, distant silhouettes
where the sun wintered
forever, burning
(Labyrinth) that I have created
To lock myself
In the time for demons
to laugh slowly
Within me, evicted,
Insanity and sense
averse for just one
little truth
Through this abandoned void
Free, clean, hollow craze
Unreachable and mute
Amongst the thousand faces
of one fall
ceaseless souls
won't stop passing
trips without stalling
know how to track
slow motion
They wander without
finding
impossible smiles
pollute the air
Not knowing which cure to seek.


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Sem saber que cura procurar

Arrasto o corpo pelas ruas

duma cidade vazia

que criei

em mim


Por esse vão abandonado

Almas incessantes

vagueiam sem se

encontrar


Arrasto o corpo pelas ruas

Gesto do ódio tédio terror

de que não posso escapar

interior certo desse passo

eterno que é sózinhar


Numa cidade vazia

de olhos baços incerráveis

cicatrizes, siluetas distantes

em que o sol se invernou

para sempre, a queimar


(Labirinto) que criei

Para me trancar

No tempo dos démonios

se rirem devagar


Em mim corridos

Loucura e senso

avessos por uma

pequena verdade



Por esse vão abandonado

Livre, limpo, oco, desvairo

Inálcançavél e mudo

Entre as mil faces

de um falhar


Almas incessantes

não deixam de passar

viajens sem paragem

sabem acompanhar

a câmara lenta


Vagueiam sem se

encontrar

Sorrisos impossíveis

poluem o ar


Sem saber que cura procurar.
Enquanto o meu mundo gira fora de órbita
Tolos de lápis de carvão gigantes
Perseguem rasgando-me a ponta dos olhos
Com os edifícios dos seus des-sentidos

Vão cobrir o horizonte
Encher o céu de cantos
converter as longitudes
a um dissabor de betão

Cruas e infertéis barreiras ao sonho
toldando o homem do Mundo
almofadas de cinza como cárceres
de nos chegar o sol inteiro

dum Novo Dia.