Monday, January 31, 2011

Um dia...

Um dia disseste
Talvez... um dia
nao precisemos de palavras
e tudo seja simples...”

E eu acreditei.

Estirei o corpo ao crepúsculo 
e fiz a cama 'a esperança quieta
de uma solidão abrupta

Pouco a pouco
a noite viu-me dar voltas
e a cama discreta e devagar
a engelhar velhos sonhos

Pouco a pouco
o sol foi deixando de queimar
ao entranhar o não chegar
do dia da magia despontar

Pouco a pouco
foi-se desenhando no peito
o desacreditar das asas
desse amor por acordar

Um dia disseste...
E eu tentei proteger-me
de querer acreditar.

Ate' um dia
tu voltares.

Sunday, January 30, 2011

.

Todas essas marcas que fizeste
ainda queimam
Por baixo da pele pintada
meses de sangue pisado

E ve^s no mundo tanta cor
(Em mim tanta sombra cinza)
Diz, por que me amas?

Para que me queres outra vez?

Com medo de mexer o que ficou
Estático no quarto dos corpos nus,
De por outra musica e outro cheiro

Sera' que quando se abrir uma janela
Tudo vai de novo desaparecer?

As marcas que me fizeste
queimam
Mas eu não as quero
deter  

_

Vamos fazer tudo aquilo que não deviamos
Só pelo prazer de saber que tudo está errado
E que somos verdadeiramente irrecuperáveis

-Im paciência

(Essa luz que seguras
Espraiando entresombras
Dimensões insondáveis

Não sei o que é...

O que será quando soltar?
O que há de fazer
ao tocar?

Não tento adivinhar
Há pouco
Aprendi a esperar.)

Friday, January 14, 2011

Lincei

And then she saw
My yellow eyes,
Loosed by the sun.
And she asked

How?

The eyes were brown
So I kissed her
And we both
Became
Lynxes

Uma pequena criatura obesa
hoje sentou-se diante de mim
Num autocarro de meio sol

Envergando uniforme dum time maravilha
O moleque sentado e quase irrequieto
assobiava com uma boca em U
(e sem som)

Fitava nalgum tempo de vidro
uma coisa em que era sozinho


No banco de tras os pais discutiam

E entre as ironias que me trilhavam a flor da pele
Senti a Tristeza chamando-me a mao

Mas o pequeno continuou sem ver.

Sorrias

Entre uma noite profunda
Vieste no sol nascer
E sorrias

Entre as Trevas
O teu esparso renascer
Um novo homem.
Sorrias

Segui-te pouco acordado
fora das paredes
Tu sorrias.

Encontrei-o casual
no seu rosto sem saberes
Numa calma certeza
Sorrias

Entre uma noite antiga
Vi-te o sol nascido
E sorria

Entre as Trevas
Tudo o que tinha sido
Um velho toque
Ainda sorria

Segui-me pouco acordado
De volta as paredes
alguém sorria



Encontrei-me surreal
Na cama sem amanheceres

onde louco me lembrei


Como sorria(s)


 Novembro 21

Itaipu

Há no Rio uma pedra que canta.
Chama-me a nadar. Chama-me a nadar.
Há no Rio uma pedra que canta.
Chama-me a saltar. Chama-me a chegar.

Há no Rio uma pedra que canta.
Uma sereia quieta me vai afogar
Nos seus lábios fazer-me água
Para cantar. Para cantar
Essa sombra que vai jogando
Devagar um samba discreto
entre os pares de namorados
que se beijam com sede e sem conta
Daquilo que vai além do instante

Essa sombra de gingado quase quieto
De prazer calado e secreto
Entre o mundo quente e afável
Que se troca e volta em mil vezes
Dentro de cada eterno instante

Essa sombra que até bebâda ninguém vé
Dada sorrida a um velho sofrer
entre a noite de luz desatenta e fraca
vai-se soslaiando de bar em bar
procurando o irrepetível instante

Em que morreu

Iguassu

No estalar dos saltos de anjos
A tempestade confunde qualquer
Que queira espiar a queda

Névoa envolve o grito da passagem
As águas respondem ao atrevimento
Viram-se e revoltam-se  e lembram
A morte que há na vida

Que prova incrível…
De que a beleza esteja na imperfeição
De que tudo se trate não de fazer completamente
Mas sim de deixar feito até ao momento que se deve cristalizar
(mesmo que não dure)
Cataratas.

Wednesday, January 12, 2011

Tortura


Em cada silhueta de mulher o teu passo
O anseio da tua face escondida
desfazendo-se ao chegar perto

(e a vergonha calada
e meiga da loucura
insiste e insiste)

Em cada silhueta feminina que vem
A esperança cresce a convicção
“Vens tu, vens tu”

E no meio de tanta gente
incalculada
caminha pouco a pouco
a espantada certeza
da solidão

Wednesday, December 22, 2010

''Que a noite é criança
  Que o samba é menino
   Que a dor é tão velha
                                     que pode morrer...''
Como o Mar testemunha, há na multidão (ou seja sociedade) uma força de arrasto silenciosa e forte. 


(Mas que diabo foi que primeiro empurrou???)

Para Chegar à casa onde estou

Para chegar à casa onde estou
É preciso trilhar um caminho
Que ninguém sabe indicar

Para chegar à casa onde estou
É preciso abandonar-se
Ao vento sem lhe pedir
Se algo há-de voltar

É preciso já não saber amar
Querer apenas outro lugar
Onde sozinho respirar
Buganvílias beira mar.

É preciso ser-se louco
Ao ponto de nada esperar
E em nada tudo encontrar

Querer apenas outro lugar
Fugir constante ao acertar
De velhos sonhos confiantes

Querer apenas outro lugar
Para sonhar a cada instante
E saltar de dentro duma queda
Para outra dimensão do mar

Para chegar à casa onde estou
É preciso trilhar um caminho
Que ninguém sabe indicar



(Sai de noite, não olhes e não pares até me encontrar)

Rota Praia

(...) Quando a noite caiu
a areia deixou de ter nomes.
As etrelas fizeram-me
outro alguém
de um espírito mil cores.



(não sei onde fiquei)