Um dia disseste
“Talvez... um dia
nao precisemos de palavras
e tudo seja simples...”
E eu acreditei.
Estirei o corpo ao crepúsculo
e fiz a cama 'a esperança quieta
de uma solidão abrupta
Pouco a pouco
a noite viu-me dar voltas
e a cama discreta e devagar
a engelhar velhos sonhos
Pouco a pouco
o sol foi deixando de queimar
ao entranhar o não chegar
do dia da magia despontar
Pouco a pouco
foi-se desenhando no peito
o desacreditar das asas
desse amor por acordar
Um dia disseste...
E eu tentei proteger-me
de querer acreditar.
Ate' um dia
tu voltares.
