Tuesday, March 20, 2007

E a vida corre como um rio

Pelas ruas do juventude

Despreocupada num assobio.

Espero que nada mude.

Monday, February 12, 2007

Abre os olhos!

Abre os olhos!

Mas porquê ?! Entendo-me tão bem com o silencio, a escuridão e a solidão!

Só de olhos fechados posso continuar a sonhar e a amar...

Abre os olhos!

Mas porquê ?!Eu sinto-me mais seguro escondido na sombra,

Como se nos doces braços maternos...Porquê tentar o perigo; a vida?

Abre os olhos!

A luz é tão forte! A luz cega-me, a luz doi-me.

Bem sei que o sonho é mais doce que a realidade

Mas a luz é necessaria.

Abre os olhos!

Chegou a hora de enfrentar o teu olhar.

Monday, January 22, 2007

Hoje chega o dia...

Hoje chega o dia que sempre há de chegar
E os tristes véus negros já esvoaçam no ar
Com os tristes lamurias e gritos perdidos
E correm as memórias dos tempos vividos

O som do desespero e da solidão
Soa estridente no gelido coração
Que perdura nos d’antiga geração
Com recordações daqueles que já não são

Como me doi olhar o corpo inerte
Que jaz já sem vida no caixão
Sua alma, que Deus tem, está no paraíso
Feliz, mas não esboça nenhum sorriso

Eu, solene me despeço...destroçado
Olho com melancolia para o involucro amado
E choro ao saber que nunca mais estará a meu lado
Se partiu para o céu chorar será errado?

Castelo Branco 2005

Wednesday, December 27, 2006

Amor paciente

Fico sempre na sombra a olhar para ti,
O teu sorrir, amar, suspirar e viver
Essa tua vida de esperanças a correr
Mas tu nem imaginas que estou aqui

A sondar-te e a conhecer-te ao pormenor
A decorar os teus trejeitos e os teus ventos
A descobrir as tuas magoas os teus lamentos.
E vendo em mim crescer um amor maior

Porque viver ardentemente o impossivel amor?
Para quê sentir esta dor infiltrar-se no meu ser
E viver assim, cabisbaixo, tendo apenas o sofrer
E assistir ao quotidiano palido, morto, sem cor

Ah ! Destino cruel, triste e almadiçoado
Como podes querer conduzir-me assim
De desventura em desventura, até ao fim,
Até ao fundo do abismo, sem forças, calado

Mas tenho que aceitar a minha pouca sorte
Sou como um falcão com as asas cortadas
Já não sonho; vou contando as madrugadas
Esperando sem receio que chegue um dia a morte

Não me deixes na sombra da vida

Nunca me anbandones meu amor
Não me deixes só, em silencios sofridos
Não me deixes só, em sorrisos perdidos
Morrendo ao poucos de desgosto, de dor

Não me deixes só com as memórias
Dos teus olhares e das tuas divagações
Dos teus beijos e das tuas canções
Em que resplandescias com mil glorias

Não me deixes aqui assim sozinho
Eu sou como uma inocente criança
Não me mates a jovem confiança
Se fores fico a tua espera, quietinho...

No meu canto, escondido, na sombra da vida
Vendo o tempo passar, as pessoas mudar
Conhecendo os seus dramas e o seu sonhar
Chorando cada angustia, cada lagrima retida

Esperando que um dia voltes para o teu lugar
E que rias comigo de felicidade, de pura alegria
E que me enterres o tormento que, sem ti, vivia
E que juntos voltemos a aprender a sorrir e a amar

Thursday, December 07, 2006

Canta, rogo-te...

Canta, rogo-te minha bela sereia
Liberta esse teu suave encanto
Sobre a lua graciosa com seu manto
E enche-me com ritmo cada veia

Canta, rogo-te minha querida feitiçeira
E prende-me a esse misterioso cantico
Fa-lo ecoar por todas as grutas do Atlântico
Que passe pelo Pico, Faial e Terceira

Canta, rogo-te minha eterna fantasia
Com tua voz, tão mistica e pura
E com essa magia traz-me uma cura
Uma luz, uma esperança menos fugidia

Fica, rogo-te minha bela sereia
Não me anbandones a dor assim
Continua aqui, a cantar para mim
Nesta praia, os dois juntos sobre a areia

Fica, rogo-te minha querida feitiçeira
Comigo no calor deste nosso amor,
Que nos faz sorrir e desconhecer a dor
Aqui tendo o anoitecer por viagem passageira

Fica, rogo-te minha eterna fantasia
Aqui, a viver para sempre esta felicidade
Nos meus braços firmes com verdade
Esta mágica perfeição da nossa harmonia

Monday, November 20, 2006

Adeus

Adeus meu amor, já é hora de te deixar
Tenho de parar de sofrer com tua partida
Tenho que avançar, tenho que me afastar
Tenho que seguir, e estas lagrimas enxugar

Adeus minha amada, já é hora de esquecer
Todas as madrugadas que passei a imaginar
Os beijos que nunca me quiseste oferecer
Tenho que seguir, e estas lagrimas enxugar

Tenho que parar de sofrer com tua partida
Com as tuas fugas e esse teu louco viver
Tenho de parar de sonhar contigo, velida
Tenho que seguir, e estas lagrimas enxugar

Todas a madrugar que passei a imaginar
A felicidade entre nos perfeita,merecida
Com a confiança e a ternura do teu olhar
(Tenho que seguir, e estas lagrimas enxugar)

Apesar das tuas fugas e desse louco viver
Eu continuo a amar, mas tenho de olvidar
Pois o meu coração já não pode mais sofrer
Tenho que seguir, e estas lagrimas enxugar

A felicidade entre nós perfeita, merecida
Mas que delirio, que louca fantasia do meu ser
(Não sabes como é dificil perder-te querida)
Tenho que seguir, e estas lagrimas enxugar

(Hoje está acabado o que nunca começou
Porfim veio a realidade e meu sonho matou)

Desperdicio

Não brinques assim com o amor
Não percas o teu futuro, a tua vida
Não! Não te exponhas assim a sida
Não te arrisques ao vicio, a dor

Não escolhas esse negro caminho
Não ves que estas a ser enganada?!
Esse extase é falso, nao muda nada
Isso não afasta nenhum redemoinho

Ao procurar fugir do teu sofrimento
Foste apanhada por uma armadilha
Perdeste a dirrecção da tua quilha
E ficaste presa nesse eterno tormento

E agora? Tu choras...e eu amarguro
Ja tens os dias contados...acabou
E contigo levas quem te amou...
Tudo por culpa daquele prazer perjuro

Novembro 2006

Sunday, October 08, 2006

Se te beijasse...

Se ,um dia, eu te beijasse acordaria
Deste desejo,desta louca fantasia
E a dor seria como um punhal cravado
No meu coração de sonhos moldado

Nas trevas abismais do sonho quebrado
Cada uma das minhas lagrimas correria
A minha face, a minha alma se perderia
Nas memorias do nosso amor inacabado

E assim pouco a pouco definharia
Como uma flor que não viu a luz do dia
Chorando, resignado a minha sorte:

Sem nada, nem esperanças, nem alegria
Vendo o tempo a voar com melancolia
E a pensar: ‘A tua vida é a minha morte....’

10/2006

Procurei-te entre os destroços

Fui procurar-te entre a areia da praia
Passei ao lado das casas destroçadas
Caminhei entre defuntos pelas estradas
No horizonte o sol da esperança raia

Preferia estar contigo entre os mortos
Iriamos juntos para o paraiso
Deixariamos nossos miseraveis corpos
E lá um belo mar esperaria liso

Voltei pelas ruas do luto
Para as quais agora permuto
Perdi-te para nunca mais te ver
Não há pior tortura para algum ser

Terrivel mar para tantas mortes causar
Oiço ao longe o choro das crianças em vão
E entre as cinzas e os cadaveres, jaz meu coração
Quando morrer, voltarei para te amar


(as vitimas do Tsunami de 2005)

Wednesday, October 04, 2006

Soneto do fim

Estou tão sozinho, triste e esgotado
Nunca saberás como é viver assim
Como sem nenhum futuro ou passado
Sem saber porque estou aqui, porque vim...

Como se um livro vazio, intocado
E sem vida, sem auroras carmesim
Sem história, à solidão condenado
Só, entre as doces magnolias do meu jardim

Só estas aqui tu, só a ti te vejo
Num olhar que já falha, moribundo
És segura e viva...como te invejo!

Esperando receber o teu beijo
Como uma despedida deste mundo
Sonho enovoado o meu ultimo desejo

Wednesday, September 13, 2006

Saudade

Sobre a chuva,de olhar vazio
De alma dispersa e confundida
Com a mente no estuario do rio
Longe de casa; triste é a vida...

Com saudade da sua varanda
Dos dias quentes e do céu aberto
De toda gente que por là anda
Dos beijos que ficaram por dar

Do som das ruas da sua cidade
Dos sorrisos dos seus amigos
Dos frutos:dos deliciosos figos
Do mar,da plenitude e serenidade

Está longe das suas terras morenas
Num lugar de chuva e ceu cruel
Nestas ruas de ausencia e fel...
(Lamentam os corvos de negras penas)

Um dia hei-de voltar para te abraçar
De coraçao perto de ti e do mar
Serei de novo eu, sorriso sorridente.
Nessa altura meu olhar será diferente...

8/10/2005

Sunday, September 10, 2006

Nos vidros embaciados...

Nos vidros embaciados, na areia molhada
Nas nuvens passageiras e nas estrelas eternas
Desenho o teu nome com paixão timida e infinita
Quero ser a tua sombra, quero seguir-te por todo o lado
Serei o fiel amante que segue os passos da dona de sua alma

Pelo caminho que tenho destinado
Espero encontrar-te bem perto de mim
Seria teu refugio secreto, jamais revelado
Quero guardar-te como imortal jasmim

04/08/2006

Saturday, August 26, 2006

No lugar dos tempos

É aqui, entre os pinheiros mansos e os sobreiros
Que encontro o meu refugio, em silencio e paz
E esqueço a dor, as magoas que minha alma traz
Perdido no meio do correr de anos inteiros…

Sentado numa destas pedras, testemunhas ancestrais
Esqueço o amor frustrado que fere o meu coração
E sonho com as fantasias de quem não sofre mais
Mas ao acordar, sei que é apenas a minha imaginação

Contemplo a alta cruz que ilumina a paisagem
E surge perante meus olhos tão bela imagem
Sou eu, criança outra vez, correndo os olivais
Sorrindo, brincando, imitando os meus pais

Onde vai o tempo dos sonhos sem barreiras?
E onde estão as tuas carícias feiticeiras?
E agora que perdi tudo aquilo que quis
Só me resta viver esta irrealidade feliz

25/08/2006

Saturday, August 12, 2006

O vento levou

Num dia de céu tão profundo quanto teu olhar
As arvores com folhas tristes de Verão
Teus olhos castanhos no vazio a declamar
As desventuras e magoas que sofres no coração

Ao conhecer-te o vento parou para t’ouvir falar
E tuas doces palavras no âmago levou
E ao suspirar longe deste lugar, tua voz deixou.
E o teu cântico de sereia a muitos fez sonhar