Thursday, April 09, 2009

Um

Não sei...
dir-se-ia uma ausência sem questões, seca pelo silencio
estive sempre acompanhado...mas estamos sempre
e estive, estou sempre sozinho
Estive e estou e talvez tenha estado até morrer
E agora seja um fantasma a cismar a vida

porque a solidão destrói o tempo

Da janela que estalou de frio no nosso quarto
o quarto de sempre
no tempo incontável do Inverno
encontro
a meus pés o resto do que pareceu ser

para sempre

Os estilhaços
Vidros cegos,
sempre desajeitados sempre cruéis
cortando carne
bebendo sangue

lembro-me que faltas tu

Voou… aquele que um dia
Brilhava todas as cores divididas

Nele só era a manhã verdadeira

tive saudades tuas
e depois de hoje
continuarei a tê-las...
entre a culpa
nunca estranha por ser
amarga

Tu tinhas dito
‘’se me procurares encontras-me sempre’’

Tinhas dito

Lembro
extenuado de solidão
penso a exalar cansaço
e volto por inspirar frustração

lembro-me que faltas tu

Saturday, March 07, 2009

Na cidade não existe terra, apenas existe poeira.

Entre o Louco e o Poeta somente uma distinção:
O Poeta admite-se louco e não se lhe faz contestação
O Louco nunca se diz poeta mas é-lo sem autorização.

Tuesday, March 03, 2009

Niil

O meu pai…? quem foi?
que tem graça saber que nem conheceu!

Rio!
Rio!
Rio risada bêbada de despudor face a tristeza!
Que arraste a corrente todas as falsas lágrimas
ao Diabo seja ele filho de quem for

Pai?
palavra sem urze

Pai?
paí...deixado nalguma dimensão
de um sonho qual-quer-que-tenha
( e as criancas sonham tanto )

Não, nao venham pêsames
fazer-se cadaver ficticio,

plastico do homem pre-morto

Pai...
se nem eu pudera ser metade de mim
para que trazer-me uma origem completa
explicadamente bipartivel, ultragenetica?

deixem-me brincar criança
‘’pai não nasceu’’

Pai? só mesmo o gordo de Dezembro...

Pai?
Fantasia!
sonho que o tempo rompe
Pai morre antes nascido
a verdade que se rompe
com o nascer, mãe,
da só verdade:
criança órfã
(Pai? Pai não nasceu.)

Sunday, March 01, 2009

E se ao menos fosse mais fácil
Saber os teus olhos…
Talvez adivinhasse algo que
Duvidasse sentir…

Já nem sei se foste tu
Que escolheste uma sedução
Cruel
Ou se fui eu a escolher
Um delírio apaixonado!

Agora que sossego as esperanças
na noite
lembro e sonho…

Suponho que me amas.
Suponho o teu olhar
Límpido e terno
Mas quando tento o teu sorriso
cedendo-me
Perco a fé no quarto da noite

(Fiquei sozinho no escuro
Aterrorizado a ver o lento traçar
De um novo vulto de amor
Crescendo)

Tuesday, February 03, 2009

Nevão

Uns tremem o antefrio de uns medo

Aqueles engasgam-se as gargalhadas... asmáticos de alegria.


Nevão


-Cobre-te que hoje a rua se veste de branco

-Mergulha que hoje a noite não dorme escura


Apatia...a neve sobre mim


(Afinal a meteorologia enganou-se)
''the bridge is crossed, so stand and watch it burn . . .''

Saturday, January 17, 2009

Lua Nova

Foi a solidão.

Emergiu da noite
Sem lua
E veio aceitar
Sem perguntas
A alma

Fez o silêncio
E os braços de mãe
A segurança negra
Em que se enroscou
a Alma

Nada mais
se deixou tremer
e o frio deixou
de se sentir
na Alma

Foi a solidão.
Desceu dos sonhos
E beijou os lábios
Ate sugar toda
A Alma

Aqui estou eu

Aqui estou eu

torrencialmente tempestivo
já de poeta morto
e alma fugida
sendo um quase
estúpido e por vezes altivo
variado de sorrisos sinceros e sarcásticos
Aqui estou eu
frustrado de tentar ser algo que não odeie
Bêbado e excêntrico para que não me nomeiem louco
Aqui estou eu
tendencialmente esquizoide
querendo encontrar em mim
algo
que
possas
amar...

Saturday, November 15, 2008

Miraram-se nos olhos como se no espelho. Jamais. A inocência de tentar tinha-se perdido. A confiança vazara. Que sentido? Que vontade? Que alma? Nada. Nada podia falar. Não.
Não. Nenhuma mão poderia escrever. Na luz perdera-se o significado ficando apenas a estranha sensação de uma existência casual. As janelas não insuflavam mais esperança. Nunca. Por mais que o corpo se vista nunca se fará a roupa tão intensa como a pele que sugere. Nenhuma máscara poderia gritar a verdadeira voz de uma face. Do tecto, pela parede, entre as tábuas do soalho. Um lugar gemendo. Desalento. Olhos nos olhos do reflexo distorcido no fio de prata. Olhos nos olhos dos fingindo ser olhos de olhos que olhando fossem mais que simples olhos. Nenhuma voz. E a presença muta derramando lágrimas de lítio.



‘’Traíste’’ pensou Sentimento e toda Palavra soube.
Não existir.


O silêncio nunca morreu. Ficou. Só. Na sensação de passo em falso de todas as existências. Ficou. Só. Entre os corpos a viver a angústia sufocada no deleite. Ficou. Só. Fora da amargura sorrida nas sombras. Ficou. Só. A chorar para sempre.
Afónico.

Monday, October 06, 2008

(Perdi os olhos verdes)


Hoje sonhei-te numa tarde de sol
Perdida numa floresta nostálgica
De bicicleta abrindo

os caminhos do espanto

Vi-te de sorriso,
recebi-te nos meus braços
E senti o frio estalar.

Sonhei-te quente e mística
Olhos sem medo
Tu, de mãos serenas,
pele nua e azul

Sonhei que me ensinavas
E que me perdia em ti

Sonhei
que me sabias voltar a amar


E o dia desabou.


6/10/2008

Tuesday, September 23, 2008

Maresia das Musas


Vinde nereidas, vinde tágides
Amaciai mas uma vez minha voz
E deixai que o meu humano talento
Vos cante na certeza viajante do vento

Vinde, pousai a meu lado o descanso
Das vossas almas marinhas de anjos
Vinde, saciai a minha sede de encanto
E deixai-vos por uma noite neste recanto

Vinde, desfazer os novelos de medo
Que o tempo enrolou nas teias da mente
Ameigai por momento este loucura veemente
Da poesia insatisfeita que se estende demasiado cedo
Prometendo que amanha será um sorriso pleno

Vinde, coroai o meu desalento com círios,
palavras, e a luz do firmamento
Vinde, acompanhai o último
Beijai o decadente
Fechai os olhos
E de novo semeai a terra
E adorai os frutos da humana gente
Que se faz rouca na devoção,

Vinde romper as brumas e as ondas
E amai a humana inocência
Que se perde sempre
Ao estender a mão
Para a beleza da imaginação

Agosto 2008

Monday, June 09, 2008

A tua mão escarlate.
numa ligadura mal atada
segurei entre minhas mãos
silenciosa e assustada
no meu choque
A tua mão pisada de purpura.
vi-a dormir no meu peito
ja lisa e nua
sossegada do medo
de si propria
A tua mão num roxo atormento
desesperei curar
(quis beija-la e o meu amor magoou-a)
Desmaiada em violeta
a tua mão ,
uma asa que treme
depois de pisada...
a tua mão
a tua mão
a tua mão.
o pesadelo mais longo que na noite passei
9/06/2008

Thursday, June 05, 2008

Resignio

Aceito...
nem advinho as manchas
da tua mente
não quero falar nem tocar
receio as palavras que não sei aguentar
na tua voz
Fico aqui...mudo
e encosto-me a esta parede de gelo
e fecho os olhos na tua pele macia
sem a violar.
E espero...
deixo-me suspenso
pelo entretanto neutro
pela a antecipacão do corte.
Aceito.
Aceito deixar de ver
na tua face
o que sei ler
Aceito este intersticio
que me rasga lentamente
porque adormeco nos ultimos raios
do teu perfume.
Deixo as asas ao vento.
Prolongo a agonia que te abraça a mim
(Pudera calar-se este silencio)
E espero.
Deixa-me beijar as palavras que se fermentam
na tua boca...
(Faz do silencio
a nossa fala)

(Vencido da vida)

Há no amor um certo travo de fatalidade
que desperta um sorriso
nos que se despiram
dos sonhos de amantes
e que se viram na sua nudez.

num fragmento de espelho fragilidade humana

e o corpo desmitificado de um velho


29/05/08