Miraram-se nos olhos como se no espelho. Jamais. A inocência de tentar tinha-se perdido. A confiança vazara. Que sentido? Que vontade? Que alma? Nada. Nada podia falar. Não.
Não. Nenhuma mão poderia escrever. Na luz perdera-se o significado ficando apenas a estranha sensação de uma existência casual. As janelas não insuflavam mais esperança. Nunca. Por mais que o corpo se vista nunca se fará a roupa tão intensa como a pele que sugere. Nenhuma máscara poderia gritar a verdadeira voz de uma face. Do tecto, pela parede, entre as tábuas do soalho. Um lugar gemendo. Desalento. Olhos nos olhos do reflexo distorcido no fio de prata. Olhos nos olhos dos fingindo ser olhos de olhos que olhando fossem mais que simples olhos. Nenhuma voz. E a presença muta derramando lágrimas de lítio.
‘’Traíste’’ pensou Sentimento e toda Palavra soube.
Não existir.
O silêncio nunca morreu. Ficou. Só. Na sensação de passo em falso de todas as existências. Ficou. Só. Entre os corpos a viver a angústia sufocada no deleite. Ficou. Só. Fora da amargura sorrida nas sombras. Ficou. Só. A chorar para sempre.
Afónico.
Saturday, November 15, 2008
Monday, October 06, 2008
(Perdi os olhos verdes)

Hoje sonhei-te numa tarde de sol
Perdida numa floresta nostálgica
De bicicleta abrindo
Perdida numa floresta nostálgica
De bicicleta abrindo
os caminhos do espanto
Vi-te de sorriso,
recebi-te nos meus braços
E senti o frio estalar.
Sonhei-te quente e mística
Olhos sem medo
Tu, de mãos serenas,
pele nua e azul
Sonhei que me ensinavas
E que me perdia em ti
Sonhei que me sabias voltar a amar
Vi-te de sorriso,
recebi-te nos meus braços
E senti o frio estalar.
Sonhei-te quente e mística
Olhos sem medo
Tu, de mãos serenas,
pele nua e azul
Sonhei que me ensinavas
E que me perdia em ti
Sonhei que me sabias voltar a amar
E o dia desabou.
6/10/2008
Tuesday, September 23, 2008
Maresia das Musas
Vinde nereidas, vinde tágides
Amaciai mas uma vez minha voz
E deixai que o meu humano talento
Vos cante na certeza viajante do vento
Vinde, pousai a meu lado o descanso
Das vossas almas marinhas de anjos
Vinde, saciai a minha sede de encanto
E deixai-vos por uma noite neste recanto
Vinde, desfazer os novelos de medo
Que o tempo enrolou nas teias da mente
Ameigai por momento este loucura veemente
Da poesia insatisfeita que se estende demasiado cedo
Prometendo que amanha será um sorriso pleno
Vinde, coroai o meu desalento com círios,
palavras, e a luz do firmamento
Vinde, acompanhai o último
Beijai o decadente
Fechai os olhos
E de novo semeai a terra
E adorai os frutos da humana gente
Que se faz rouca na devoção,
Vinde romper as brumas e as ondas
E amai a humana inocência
Que se perde sempre
Ao estender a mão
Para a beleza da imaginação
Vinde, acompanhai o último
Beijai o decadente
Fechai os olhos
E de novo semeai a terra
E adorai os frutos da humana gente
Que se faz rouca na devoção,
Vinde romper as brumas e as ondas
E amai a humana inocência
Que se perde sempre
Ao estender a mão
Para a beleza da imaginação
Agosto 2008
Monday, June 09, 2008
A tua mão escarlate.
numa ligadura mal atada
segurei entre minhas mãos
silenciosa e assustada
no meu choque
A tua mão pisada de purpura.
vi-a dormir no meu peito
ja lisa e nua
sossegada do medo
de si propria
A tua mão num roxo atormento
desesperei curar
(quis beija-la e o meu amor magoou-a)
Desmaiada em violeta
a tua mão ,
uma asa que treme
depois de pisada...
a tua mão
a tua mão
a tua mão.
o pesadelo mais longo que na noite passei
9/06/2008
Thursday, June 05, 2008
Resignio
Aceito...
nem advinho as manchas
da tua mente
não quero falar nem tocar
receio as palavras que não sei aguentar
na tua voz
Fico aqui...mudo
e encosto-me a esta parede de gelo
e fecho os olhos na tua pele macia
sem a violar.
E espero...
deixo-me suspenso
pelo entretanto neutro
pela a antecipacão do corte.
Aceito.
Aceito deixar de ver
na tua face
o que sei ler
Aceito este intersticio
que me rasga lentamente
porque adormeco nos ultimos raios
do teu perfume.
Deixo as asas ao vento.
Prolongo a agonia que te abraça a mim
(Pudera calar-se este silencio)
E espero.
Deixa-me beijar as palavras que se fermentam
na tua boca...
(Faz do silencio
a nossa fala)
(Vencido da vida)
Há no amor um certo travo de fatalidade
que desperta um sorriso
nos que se despiram
dos sonhos de amantes
e que se viram na sua nudez.
num fragmento de espelho fragilidade humana
e o corpo desmitificado de um velho
29/05/08
que desperta um sorriso
nos que se despiram
dos sonhos de amantes
e que se viram na sua nudez.
num fragmento de espelho fragilidade humana
e o corpo desmitificado de um velho
29/05/08
Sunday, February 03, 2008
''Entre as cinzas''
Quando me pisaste
entre um amontoado de cadáveres
eu soube sorrir
entre o fedor mórbido da morte
cantavas tu
como um estandarte firme
insolente frente ao vento
que o quer ferir.
E entre os raios de luz,
de brilho do teu olhar
eu chorava já não sei bem
se de alegria,
admiração
ou agonia
eras livre e eras força
somente essência
e eu era um mutilado,
nem metade do que seria sem sofrer
E no entanto não cegava a tua luz
não sofria o teu valor
eu morria e tu não.
entre um amontoado de cadáveres
eu soube sorrir
entre o fedor mórbido da morte
cantavas tu
como um estandarte firme
insolente frente ao vento
que o quer ferir.
E entre os raios de luz,
de brilho do teu olhar
eu chorava já não sei bem
se de alegria,
admiração
ou agonia
eras livre e eras força
somente essência
e eu era um mutilado,
nem metade do que seria sem sofrer
E no entanto não cegava a tua luz
não sofria o teu valor
eu morria e tu não.
Dezembro 2007
Thursday, December 06, 2007
Idiotas pisados
A vida de um arrogante
Resume-se
Ao engano do apogeu
Que na verdade
Não é mais que a fria preparação
Da
Queda
A espera que o destino deixa passar…
Antes que sobre a orgulhosa nau
Se lance a fúria salgada do mar
20/09/2007
Resume-se
Ao engano do apogeu
Que na verdade
Não é mais que a fria preparação
Da
Queda
A espera que o destino deixa passar…
Antes que sobre a orgulhosa nau
Se lance a fúria salgada do mar
20/09/2007
Névoa do adeus
Passa o tempo
A vida esvoaça
a lembrança do findável
Que bonito ser mortal!
Que intenso viver face ao futuro, ao vazio…
E no entanto some-se o brilho do teu amar
Envelhece o tempo
Esquece o cíclico
O terminal só chega uma vez
E enquanto te aproximas do destino
Olha para fora
Reflete a maravilha que te é exterior
(Agora descansa,
da ao céu o azular da tua alma
Não penses mais no tempo
que mirra o castanho do teu olhar)
6/12/2007
A vida esvoaça
a lembrança do findável
Que bonito ser mortal!
Que intenso viver face ao futuro, ao vazio…
E no entanto some-se o brilho do teu amar
Envelhece o tempo
Esquece o cíclico
O terminal só chega uma vez
E enquanto te aproximas do destino
Olha para fora
Reflete a maravilha que te é exterior
(Agora descansa,
da ao céu o azular da tua alma
Não penses mais no tempo
que mirra o castanho do teu olhar)
6/12/2007
Tuesday, March 20, 2007
Monday, February 12, 2007
Abre os olhos!
Abre os olhos!
Mas porquê ?! Entendo-me tão bem com o silencio, a escuridão e a solidão!
Só de olhos fechados posso continuar a sonhar e a amar...
Abre os olhos!
Mas porquê ?!Eu sinto-me mais seguro escondido na sombra,
Como se nos doces braços maternos...Porquê tentar o perigo; a vida?
Abre os olhos!
A luz é tão forte! A luz cega-me, a luz doi-me.
Bem sei que o sonho é mais doce que a realidade
Mas a luz é necessaria.
Abre os olhos!
Chegou a hora de enfrentar o teu olhar.
Monday, January 22, 2007
Hoje chega o dia...
Hoje chega o dia que sempre há de chegar
E os tristes véus negros já esvoaçam no ar
Com os tristes lamurias e gritos perdidos
E correm as memórias dos tempos vividos
O som do desespero e da solidão
Soa estridente no gelido coração
Que perdura nos d’antiga geração
Com recordações daqueles que já não são
Como me doi olhar o corpo inerte
Que jaz já sem vida no caixão
Sua alma, que Deus tem, está no paraíso
Feliz, mas não esboça nenhum sorriso
Eu, solene me despeço...destroçado
Olho com melancolia para o involucro amado
E choro ao saber que nunca mais estará a meu lado
Se partiu para o céu chorar será errado?
Castelo Branco 2005
E os tristes véus negros já esvoaçam no ar
Com os tristes lamurias e gritos perdidos
E correm as memórias dos tempos vividos
O som do desespero e da solidão
Soa estridente no gelido coração
Que perdura nos d’antiga geração
Com recordações daqueles que já não são
Como me doi olhar o corpo inerte
Que jaz já sem vida no caixão
Sua alma, que Deus tem, está no paraíso
Feliz, mas não esboça nenhum sorriso
Eu, solene me despeço...destroçado
Olho com melancolia para o involucro amado
E choro ao saber que nunca mais estará a meu lado
Se partiu para o céu chorar será errado?
Castelo Branco 2005
Wednesday, December 27, 2006
Amor paciente
Fico sempre na sombra a olhar para ti,
O teu sorrir, amar, suspirar e viver
Essa tua vida de esperanças a correr
Mas tu nem imaginas que estou aqui
A sondar-te e a conhecer-te ao pormenor
A decorar os teus trejeitos e os teus ventos
A descobrir as tuas magoas os teus lamentos.
E vendo em mim crescer um amor maior
Porque viver ardentemente o impossivel amor?
Para quê sentir esta dor infiltrar-se no meu ser
E viver assim, cabisbaixo, tendo apenas o sofrer
E assistir ao quotidiano palido, morto, sem cor
Ah ! Destino cruel, triste e almadiçoado
Como podes querer conduzir-me assim
De desventura em desventura, até ao fim,
Até ao fundo do abismo, sem forças, calado
Mas tenho que aceitar a minha pouca sorte
Sou como um falcão com as asas cortadas
Já não sonho; vou contando as madrugadas
Esperando sem receio que chegue um dia a morte
O teu sorrir, amar, suspirar e viver
Essa tua vida de esperanças a correr
Mas tu nem imaginas que estou aqui
A sondar-te e a conhecer-te ao pormenor
A decorar os teus trejeitos e os teus ventos
A descobrir as tuas magoas os teus lamentos.
E vendo em mim crescer um amor maior
Porque viver ardentemente o impossivel amor?
Para quê sentir esta dor infiltrar-se no meu ser
E viver assim, cabisbaixo, tendo apenas o sofrer
E assistir ao quotidiano palido, morto, sem cor
Ah ! Destino cruel, triste e almadiçoado
Como podes querer conduzir-me assim
De desventura em desventura, até ao fim,
Até ao fundo do abismo, sem forças, calado
Mas tenho que aceitar a minha pouca sorte
Sou como um falcão com as asas cortadas
Já não sonho; vou contando as madrugadas
Esperando sem receio que chegue um dia a morte
Não me deixes na sombra da vida
Nunca me anbandones meu amor
Não me deixes só, em silencios sofridos
Não me deixes só, em sorrisos perdidos
Morrendo ao poucos de desgosto, de dor
Não me deixes só com as memórias
Dos teus olhares e das tuas divagações
Dos teus beijos e das tuas canções
Em que resplandescias com mil glorias
Não me deixes aqui assim sozinho
Eu sou como uma inocente criança
Não me mates a jovem confiança
Se fores fico a tua espera, quietinho...
No meu canto, escondido, na sombra da vida
Vendo o tempo passar, as pessoas mudar
Conhecendo os seus dramas e o seu sonhar
Chorando cada angustia, cada lagrima retida
Esperando que um dia voltes para o teu lugar
E que rias comigo de felicidade, de pura alegria
E que me enterres o tormento que, sem ti, vivia
E que juntos voltemos a aprender a sorrir e a amar
Não me deixes só, em silencios sofridos
Não me deixes só, em sorrisos perdidos
Morrendo ao poucos de desgosto, de dor
Não me deixes só com as memórias
Dos teus olhares e das tuas divagações
Dos teus beijos e das tuas canções
Em que resplandescias com mil glorias
Não me deixes aqui assim sozinho
Eu sou como uma inocente criança
Não me mates a jovem confiança
Se fores fico a tua espera, quietinho...
No meu canto, escondido, na sombra da vida
Vendo o tempo passar, as pessoas mudar
Conhecendo os seus dramas e o seu sonhar
Chorando cada angustia, cada lagrima retida
Esperando que um dia voltes para o teu lugar
E que rias comigo de felicidade, de pura alegria
E que me enterres o tormento que, sem ti, vivia
E que juntos voltemos a aprender a sorrir e a amar
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