Wednesday, September 13, 2006

Saudade

Sobre a chuva,de olhar vazio
De alma dispersa e confundida
Com a mente no estuario do rio
Longe de casa; triste é a vida...

Com saudade da sua varanda
Dos dias quentes e do céu aberto
De toda gente que por là anda
Dos beijos que ficaram por dar

Do som das ruas da sua cidade
Dos sorrisos dos seus amigos
Dos frutos:dos deliciosos figos
Do mar,da plenitude e serenidade

Está longe das suas terras morenas
Num lugar de chuva e ceu cruel
Nestas ruas de ausencia e fel...
(Lamentam os corvos de negras penas)

Um dia hei-de voltar para te abraçar
De coraçao perto de ti e do mar
Serei de novo eu, sorriso sorridente.
Nessa altura meu olhar será diferente...

8/10/2005

Sunday, September 10, 2006

Nos vidros embaciados...

Nos vidros embaciados, na areia molhada
Nas nuvens passageiras e nas estrelas eternas
Desenho o teu nome com paixão timida e infinita
Quero ser a tua sombra, quero seguir-te por todo o lado
Serei o fiel amante que segue os passos da dona de sua alma

Pelo caminho que tenho destinado
Espero encontrar-te bem perto de mim
Seria teu refugio secreto, jamais revelado
Quero guardar-te como imortal jasmim

04/08/2006

Saturday, August 26, 2006

No lugar dos tempos

É aqui, entre os pinheiros mansos e os sobreiros
Que encontro o meu refugio, em silencio e paz
E esqueço a dor, as magoas que minha alma traz
Perdido no meio do correr de anos inteiros…

Sentado numa destas pedras, testemunhas ancestrais
Esqueço o amor frustrado que fere o meu coração
E sonho com as fantasias de quem não sofre mais
Mas ao acordar, sei que é apenas a minha imaginação

Contemplo a alta cruz que ilumina a paisagem
E surge perante meus olhos tão bela imagem
Sou eu, criança outra vez, correndo os olivais
Sorrindo, brincando, imitando os meus pais

Onde vai o tempo dos sonhos sem barreiras?
E onde estão as tuas carícias feiticeiras?
E agora que perdi tudo aquilo que quis
Só me resta viver esta irrealidade feliz

25/08/2006

Saturday, August 12, 2006

O vento levou

Num dia de céu tão profundo quanto teu olhar
As arvores com folhas tristes de Verão
Teus olhos castanhos no vazio a declamar
As desventuras e magoas que sofres no coração

Ao conhecer-te o vento parou para t’ouvir falar
E tuas doces palavras no âmago levou
E ao suspirar longe deste lugar, tua voz deixou.
E o teu cântico de sereia a muitos fez sonhar

Onde foi o meu amor?

Onde foi parar o meu maravilhoso amor?
(Cavalos negros livres galopam solitarios
Sobre palido luar,sobre a chuva prateada
Perdem-se entre o nevoeiro e a noite escura)

Que aconteceu aquele meu amor tao bento?
Sem duvidas,tão seguro,tão cheio de calor...
(Andorinhas abrem as asas pretas ao vento
Voam sobre o horizonte, fogem para o equador)

Que farei sem o amor que sorria ás nossas vidas?
(Minhas perfumadas laranjeiras morreram,cada flor
Emoreceu com o frio, cada uma perdeu a sua alba cor
E as petalas no chao, foram varridas, no vento perdidas)

Friday, June 30, 2006

Poema para ti...

Vieste numa noite escura e inesperada
Chegaste com aquela beleza só tua
Enfeitiçaste tudo com essa alma delgada
Com magia e esperança pintaste a lua

Fizeste-me ver as estrelas no céu azulado
Abriste o coração e mostraste-me as magoas
Naquele momento a tua dor partilhei
Consolei-te enquanto estava a teu lado

Daqueles segredos nunca me esquecerei
Gravaram um marca no meu coração
Sinto a tua dor mas tambem a tua paixão
Para sempre contigo me preocuparei

Sentei-me na ausência do teu perfume
Hoje sou como uma lareira sem lume
Quero encontrar-te para te poder abraçar
Quero ver mais uma vez teu sorriso a brilhar

Saturday, June 17, 2006

O tempo apagou-nos

Vieste para mim numa noite longa e serena
Olhaste com aquela tua timidez muda
Mas o teu perfume sublime chamou-me
E em ti encontrei aquilo por que esperava

Fizeste-me ver as estrelas no céu azulado
Abriste o coração e mostraste as mágoas
Naquele momento toda a tua dor partilhei
Consolei-te enquanto estava ao teu lado

Mergulhei no teu olhar e naveguei na tua alma
Bebi as tuas memórias; chorei as tuas angústias
Ligámos as nossas vidas, tão curtas e inocentes
Com o desejo de caminhar pelo destino juntos

Mas este nosso abrigo de mútua compaixão
Perdeu-se deixando um vazio no meu coração
Não podia vencer a forte bruma que o envolvia
Pois o mundo que o rodiava não o compreendia

(O abraço reconfortante em que te cobria
Passou a um mero e frio beijo na face
Depois a um toque como uma doçe lembrança
Até que ficaram apenas palavras vazias
Qualquer dia nem sequer teremos isto....
Nada se dirá, como se nada se tivesse passado.
Como se não nos tivessemos conhecido.
A grande amizade estará sempre escondida
Ou será que foi simplesmente esquecida?)

Wednesday, June 14, 2006

Suicídio

Porquê tão miseravel destino?
Conhecer o amor para o perder
Saber que o amanhã sempre será
Mais uma mágoa na minha vida.

A minha vida foge a cada suspiro
Nada mais me agarra a este mundo
Caio neste abismo escuro, sem fundo
Já nada sinto, nem mesmo saudade

Tenho tanto frio que acho que vou gelar
Uma onda de tristeza vai-me inundar
Na solidão muitas lágrimas vão tombar.
E estarei só, na amargura do meu âmago

No céu cor cinza funebre, silêncio
Ondas batem como quem me anseia
O vento envolve-me em despedida
E o sol não quer ser testemunha

A brisa empurra-me para o meu fim
Tua voz susurra chamando por mim
Segredas-me tu que à tanto me esperas
Nada me atrasa, corro para teus braços

Perduro no vácuo da minha alma
Vou saltar da falésia alta para o mar
Fechar os olhos e a vida abandonar.
Sorrir antes do rochedo me trespassar...

Our last moment

Let me hold on to your lips
As the wind my heart sweeps
Please let me have the last kiss
This is the moment that I’ll miss

I would love to take in my arms
And fly far away from this bay
To feel your heart beat everyday
How good it would be for you to stay

Tell that your love won t be leaving
Promise that your eyes won t be deceiving
Come with me, give me your smile
Fill me with hope to stand one more day

Saturday, May 27, 2006

Descobri a dor

Descobri de novo aquela antiga dor
Andei silencioso pela pisada calçada
No meio da amargura da minha viela vazia
Enveredei pela mesma rotineira estrada
Mas hoje a paisagem aos meus olhos gemia
Seria que mais uma vez o meu louco ardor
Inventara um efemero e destroçante amor?
Só sei que do olhar emanava um choro incolor

Mais rosas murchas, outro Outono decadente
O meu coração afogava-se no seu lamento
E com agonia estridente sangrava lágrimas.
No céu havia nuvens escuras e na alma vento
Os poemas não tinham nem versos nem rimas
E eu gritava libertando a voz mas não a mente
Na minha dor soluçava, pelo sofrimento preso
Não havia esperança que me salvasse de mim, ileso

Entrei no teatro que fora outrora alegre luminoso e famoso
Com surpresa só encontrei janelas tapadas e portas trancadas
Apenas me era familiar o perfume que inspirava em memorias
A vegetação descontrolada queria esconder todas as entradas
Profanei as ruinas do amago, vi o lugar onde se ouviam mil histórias
Constatei em tristes passos que o palco estava vazio e silencioso
Respirei o cheiro a buganvilias tão leve e discreto, de cor repleto
E apercebi-me que tal como sorriso esquecido, na dor estava perdido

Wednesday, May 24, 2006

Folhas ao vento

Éramos folhas de Outono
Folhas varridas, levadas
Pela suave dança da brisa
(Por ruas da incerteza caminhavas)

As estações passavam
Os momentos voavam
(Tínhamos ligeiros abrigos
Falsas e crueis ilusões)

Por muito andámos errantes
Pensando sobre amores perdidos
Nunca fomos comprêndidos
Mas de natureza somos amantes

Tudo gelou com a solidão
Ambos esperavamos paixão
Como se fosse o sol de Verão
Como a mais melodiosa canção

Mas num dia o ventou parou
E a secreta rosa se mostrou
Duas folhas perdidas pousaram
No mesmo recanto de beleza

Pela rosada aurora nos mirámos
E soube que te havia encontrado
Sem palavras nos abraçámos
Felizes por estar lado a lado

De nós cresceu a mais bela flor
De pétalas vermelhas, o amor

Wednesday, May 17, 2006

O prisioneiro

Oiço terriveis gritos de horror
Sons de desespero, profunda dor
Um homem sem culpa a sofrer
Do seu corpo sangue está a verter

Gemidos de mutilamento.
Esperanças lançadas ao vento...
Um olhar vazio, sem amor,
Sem desejo de ver o amanhecer.

Um suspiro perdido, enterrado.
O antigo sorriso foi apagado.
A noite presente para o torturar,
Voltam memorias para o atormentar

O céu está cinzento, não vai azular!
Como pode ele querer continuar?
Foge para sonhos, para o mar
Para terras distantes vai navegar

Refugia-se daquele passado
Seria tão bom poder de novo amar
Nuvens escondem o sol esperado
E as feridas sangram com o luar...

Poderá algum dia se libertar?
Ver a aurora com outro olhar.
Ter alguém que possa abraçar.
Chegarão um dia para te soltar?

(Passaro que foste preso nesta armadilha
Não podes fugir, não podes escapar
Sofres tanto a cada istante.
Começas lentamente a definhar
Nao percas a tua pouca esperança,
Numa manha fria, alguem virá pra te salvar)

Incêndio

Com sopro do vendaval vences ou recuas
Numa dança por matas, sobre sóis e luas
O Homem tenta calar-te com água e terra
Mas tu a gritar consomes e despes a serra

Fogueira

Tão perfeita era a fogueira firme e inflamada
Cercada pelo círculo de pedras, delineadas
Com a força do elemento lenha ias matando
Com a paz de uma morte cinzas ias criando

Calor e luz para os nómadas emanavas
Faiscas crepitavam de quando em quando
E o solitário homem à noite sem palavras
Com atenção a canção de Gaia, ia escutando

Ninguem

Uma lágrima lastimosa lavou minha mágoa
E foi esquecida (como eu) na leve sombra caiu
Desapercebida, todos olharam mas ninguém viu
Ninguem a compreendeu, ninguém a enxugou

Não houve melodia que cantasse o silêncio da solidão
Não houve quem me socorresse, quem me desse a mão
Nenhum poeta manchou um poema com este lamento
Ninguém há-de chorar pelas cinzas confiadas ao vento